De onde vem a calma
Havia esquecido de algumas pequenas coisas que fazem a vida andar mais à paisana. Coisas simples, alguns clichês e obviedades. Mas, como tudo que é óbvio foi feito para ser esquecido (e relembrado, e etc), ele foi encontrando coisas guardadas nas gavetas. Lembrou que os travesseiros, que são apenas de pano, penas e espuma da NASA, fazem feio quando competem com dedos que escorrem pelas costas, ou com brincadeiras de sincronizar a respiração, ou com os risos que um ronco (mesmo baixinho) pode provocar às 3 da manhã. Ele também riu de cócegas no bigodinho, lembrou que a mão fica tremendo no segundo encontro, percebeu que sessão de cinema só tem graça com apoio de ombro. Telefonou para dar bom dia e boa noite, porque sabia que não há melhor remédio que esse para curar sua insônia. Uma certa ferrugem ia embora. Acordou com vontade de desenhar um livro chamado 'preguiça-sutra'. Depois de um café e um cigarro, ele sentiu saudade, e resolveu escrever um texto sobre andar de bicicleta. E ele viveu feliz para sempre até a hora de ir dormir.

3 comentários:
Tão bom te ver assim!!!
Concordo com o anônimo... e tu merece tanto!
:) agradicido, suas lindas!
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