26 de setembro de 2011

Topografia

"Pequenos tremores, terremotos tristes. Ventos violentos e velozes". Ele tentou escrever um poema que falasse de si usando metáforas climáticas, geográficas... Ele achou que seria uma solução. Tentou medir os acidentes do seu chão. Topografia, era a palavra pra isso. Achou bonita a metáfora. Tentou compreender os tempos corretos para voar, para girar, para pôr o mundo abaixo. Percebeu que era um furacão, mas todavia não queria ser brisa. Maremotos, tsunamis, lagoas, riachos... nenhuma dessas metáforas lhe agradavam para falar de si. Ele queria saber das medidas das coisas. Pluviômetros, termômetros, anemômetros, barógrafos, nomes bonitos de instrumentos de medidas para a sua poesia fuleira. Quis concluir o pensamento, terminar o texto. Ele queria compreender. As palavras sumiam. As medidas eram imprecisas. Preferiu ficar suspenso no ar, sem voar, mas em silêncio.

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