13 de maio de 2007

Nós fazemos Teatro


[a seguir um texto - quase - atemporal, do Sr. Bonassi]

"Contra a ignorância, o terror, a falta de educação, a propaganda de promessas, o conforto moral, a ordem acima do progresso, a fome, a falta de dentes, a falta de amores, o obscurantismo... nós fazemos teatro.Fazemos teatro pra dar sentido às potencialidades, pra ocupar o tempo, pra desatolar o coração, pra provocar instintos, pra fertilizar razões, por uns trocados, por uma boa bisca, porque é fundamental e porque é inútil. Pra subir na vida, pra cair de quatro, pra se enganar e se conhecer... contra a experiência insatisfatória; contra a natureza, se for o caso, nós fazemos teatro.

Fazemos teatro pra não nos tornarmos ainda pior do que somos. Pra julgar publicamente os grandes massacres do espírito. Pra viabilizar a esperança humana, essa serpente...Nós fazemos teatro de manhã, de tarde e de noite. Nós somos uma convivência de emoções, 24 horas distribuindo máscaras e raízes.Nós fazemos teatro de tudo, o tempo todo, porque acreditamos que a vida pode ser tão expressiva quanto a obra e que devemos ter a chance de concebê-la e forni-la artisticamente. Porque estamos acordados. Porque sonhamos os nossos pesadelos.Nós fazemos teatro apesar daqueles que, por um motivo que só pode ser estúpido, estejam "contra" o teatro. Aliás, o que pode ser "contra" algo tão "a favor"? Nós fazemos teatro contra a mediocrização do pensamento; a desigualdade entre os iguais e a igualdade dos diferentes.

Nós fazemos teatro contra os privilégios dos assassinos de gravata, batina, jaqueta, toga, minissaia, vestido longo, farda, camiseta regata ou avental. Contra a uniformidade, nós fazemos teatro.Nós fazemos teatro contra o mau teatro que querem fazer da realidade.Nós fazemos teatro pra explicarmo-nos - ainda que mal - e ao mal de todos nós dar algum destino menos infeliz.

Nós fazemos teatro pra morrer de rir e pra morrer melhor. Pra entender o inestimável, se esfregar no infalível, resvalar na nobreza, experimentar as mais sórdidas baixezas, pra brincar de Deus...Nós fazemos teatro, comendo o pão que os Diabos amassam, os pratos feitos que as produções financiam e os jantares que as permutas permitem.Nós temos fome da fome do teatro. Porque onde houve e há teatro, houve e há civilização.Fazemos teatro sim, tem gente que não faz e está morrendo, essa é que é a verdade."


Fernando Bonassi
PS: A foto é de O Menino do Dedo Verde [ de uma série de fotos feita por Leandro de Maman e Samara Zukoski ] em homenagem ao teatro e ao meu joelho podre.

7 de maio de 2007

Mais Ricardo...


Dia 10 de Maio - Quinta - 16h
E.B.M. Henrique Studick - Florianópolis

Dia 11 de Maio - Sexta - 17h
Palácio Cruz e Souza - Florianópolis

Dia 18 de Maio - Sexta - 17h
CAV - UDESC - Lages

Entrada Franca!

23 de abril de 2007

Let it be...


Só pra dividr um hit do momento lúcido em que me encontro e que eu não entendo...
(e nem quero entender...)


"When I find myself in times of trouble
Mother Mary comes to me
Speaking words of wisdom, let it be.
And in my hour of darkness
She is standing right in front of me
Speaking words of wisdom, let it be.
Let it be, let it be.
Whisper words of wisdom, let it be.
And when the broken hearted people
Living in the world agree,
There will be an answer, let it be.
For though they may be parted there is
Still a chance that they will see
There will be an answer, let it be.
Let it be, let it be. Yeah
There will be an answer, let it be.
And when the night is cloudy,
There is still a light that shines on me,
Shine on until tomorrow, let it be.
I wake up to the sound of music
Mother Mary comes to me
Speaking words of wisdom, let it be.
Let it be, let it be.
There will be an answer, let it be.
Let it be, let it be,
Whisper words of wisdom, let it be"

... música das últimas semanas, que é dos Beatles, mas tem sido muito bem vinda na voz do Sr. Nick Cave... e a frase dos últimos tempos

"A lucidez é um treco muito doido" (Eulírico de Miranda)
E que ela seja sempre bem vinda!

12 de abril de 2007

Humpfffff....

Por mais prolixo que se possa ser, uma imagem fala mais que qualquer texto de blog...

abração...

11 de abril de 2007

Ele não Pára!!!

IL FESTIVALE DI LHS
[ Da coluna de Cesar Valente - De Olho na Capital, 05/04/2007 ]


Por favor me corrijam se eu estiver errado. Mas se o Luiz Henrique da Silveira tivesse sido prefeito de Blumenau, a Oktoberfest não teria sido criada e organizada pelos catarinenses. Ele teria trazido alguém de Munique para fazer a festa.
Esta decisão de trazer um italiano para organizar um festival catarinense é uma acintosa demonstração de desrespeito por nós todos. É um tapa, sem luva, na cara de todos aqueles que, ao longo dos anos, pastaram e pastam tentando animar, gerir e organizar a cultura catarinense.
Chamou-nos, o governo, a nós todos, de incompetentes, de gentinha subdesenvolvida, de incapazes de fazer qualquer coisa de bom. Curvou-se, Sua Excelência, mais uma vez, como colonizado inseguro, ao poder imperial dos estrangeiros. Que, como falam uma língua diferente, devem ser muito melhores e mais cultos.
Arreganha-se o governador à “qualidade” alienígena, negligenciando seu papel de animador, estimulador e fomentador dos talentos locais. Não se vê, nas ações de cultura do governo, respeito por nenhum de nós. Para “estimular” a dança, traz o Bolshoi, para melhorar o ensino, traz um curso francês, para “animar” a cena musical, traz um festival italiano. Em cada museu que ele visita na Europa, pergunta se não querem abrir filial em Santa Catarina.
E como andam as escolas de música catarinenses, as orquestras, as salas de espetáculo, as atividades culturais? Esse novo festival importado faz parte de um programa amplo de popularização da cultura? Ou é apenas mais um delírio bem intencionado de um governante que, no fundo, sonha ser o prefeito de Veneza? Ou Viena?
“CULTURA MUNDIAL”
Não participei da reunião que o governador teve ontem à tarde com o De Masi (que não deve ter vindo de graça, para a reunião), mas fiquei envergonhado com o que li no relato distribuído pela Secretaria de Comunicação.Reproduzem lá, a certa altura, palavras do Quirido Vinícius Lummertz:

“A versão catarinense terá uma formatação um pouco diferente daquela do festival de Ravello, na medida em que destacaremos valores brasileiros e seu contato com a cultura mundial.”

Como diriam os americanos: oh my God! Destacar valores brasileiros no festival de Santa Catarina é considerada uma coisinha adicional, um charme que diferencia do festival original, o de Ravello, na Itália?
Não entendi também essa história de “valores brasileiros e seu contato com a cultura mundial”. Como assim? Valores brasileiros que sejam apenas valores brasileiros não contam? Tem que ter um “contato com a cultura mundial”? Ou isso é pretexto apenas para trazer montoeiras de artistas estrangeiros para uns dias de mordomia no belo estado sulino?
Se alguém, dentre aqueles que têm alguma familiariade com as artes e a cultura brasileiras e catarinenses acredita que esse enfoque Luiz Henriquiano de doutrinar-nos, aos subdesenvolvidos, com os luminares (na opinião dele) da cultura ocidental seja correto, por favor escreva-me com urgência.

26 de fevereiro de 2007

Lembranças que eu não me lembro

Da série "cada um tem o folclore que merece"...


(PS: o que está no colo da lenda sou eu)

24 de fevereiro de 2007

Oscar nele!!!


Próximo domingo tem entrega do Oscar... aquela festa mequetrefe, odiosa, marqueteira, de gosto muito duvidoso, e de índole muito suspeita, que todos nós adoramos, para a qual não deixamos de fazer apostas. E ficamos sempre muito putos no fim da festa.
Este ano - depois de muitos - tem um filme pelo qual eu estou na torcida: Pesquena Miss Sunshine, que é uma das coisas mais bacanas dos últimos tempos na terra do tio Sam.
Dono de direção e roteiro especialíssimos e de atuações impagáveis, o filme é um atestado de cura para a atual pasmaceira do cinema americano, e se o Oscar o premiar, pode estar mostrando que reconhece ainda seu bom cinema.
Então... por um cinema melhor (rssssssss)... vote nela: Miss Sunshine!!!

22 de fevereiro de 2007

Ócio e Culpa

Se tem uma coisa que eu adoro mesmo é o ócio... é como se o meu corpo inteiro estivesse dizendo "por que a vida não é sempre assim, Daniel"... uma sensação de profunda gratidão - aos criadores de feriados - que vai do cucuruto da caixola até a ponta dos dedos do pé... mas é lógico que isto dura muito pouco, porque logo alguém liga comentando algo (ou cobrando algo, ou sugerindo algo...) e ela começa a entrar em cena: a culpa. Pra uma pessoa que trabalha bastante em casa, como eu, os dias de ócio são sempre um problema, porque tá tudo ali na sua frente dizendo "dê um pulinho aqui na frente do micro e trabalhe um pouco, Daniel" (qualquer semelhança com o "venha para luz, Caroline" é mera coicidência...). Aí pra você ter um ou dois dias sem culpa alguma o que você faz? Foge de casa...

Primeiro você foge pra casa do Malcon e fica 24 horas fazendo coisas absolutamente triviais e importantes como: fumar assistindo making of do Alien 3; jogar uma versão particular de imagem em ação, também conhecida como "mímicas de filme", e ver seus amigos terem de imitar uma "orquídea selvagem" ou "gata em teto de zinco quente", e coisas ainda mais bizarras; simular trailer de filmes que não existem nem nunca vão existir; dublar músicas criando traduções absurdas que você espera que ninguém ouça e outras bizarrices.

Depois você corre pra casa do Bárbara - carregando o Malcon - para um breve café antes de pegar uma espécie de balada off-carnaval (estas festas onde você pode fugir de músicas com refrão em vogal). Depois de um café e meia dúzia de fofocas, você tem a excelente idéia de jogar uma rodada de canastra... Adeus balada, o primeiro pit stop é às três da manhã para ir ao bom e velho "The Biggas" na Trindade, o único lugar underground por excelência nesta cidade, onde você pode tomar cerveja barada num ambiente semi-de-luxo, e ver os tipos mais variados... Depois de um ou dois sandubas e um pouco de cerveja nos cornos você volta com seus amigos pra terminar a partida... que só acaba mesmo às seis da manhã... Quem tinha falado em balada mesmo??

Aí você volta pra casa às sete e meia, dorme até as duas da tarde, acorda em outra órbita, e ainda passa a terça feira de carnaval recebendo visitas... Às nove da noite você recebe um espírito de gourmet - que anda sumido na sua casa - e prepara uma massa que seus amigos elogiam, repetem, mas, que você sabe que está uma bosta... É neste momento que a relidade vem a tona e a felicidade que o ócio trouxe começa a ir embora... depois você lava a louça, olha no relógio, e de repente surge ele: o computador, com uma feição triste de quem foi abandonado durante todo o feriado. A culpa começa a roer o seu estômago, e uma enorme check list começa a passar pela sua cabeça... Não é uma episódio de "The Twilight Zone" é a sua relidade mesmo que desperta e te faz planejar outros ócios o mais cedo possível...