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10 de janeiro de 2009

Retrô 7 :: Melhores Filmes de 2008 :: pelo Dono do Barraco

My turn! Eu vi pouquíssima coisa esse ano [perto do que já foram os anos em que eu trabalhava menos, ou nos que eu trabalhava em vídeo-locadora]. Em 2008, pra parir uma monografia e ainda dar conta de atuar, produzir, dar aula, lavar roupa e bater cartão no Blues Velvet, eu tive que correr muito.[e quem vê jura que eu tô rico]. Aí vi poucos e bons filmes. Com o tempo tão curto eu só me presto a sair de casa – tanto pro cinema quanto pra locadora - se tenho certeza de que “é aquele filme mesmo que eu quero ver”. Então vou comentar 10 filmes e algumas atuações, roteiros, diretores que me emocionaram em 2008. Como não sou especialista no assunto, e não vou ficar discutindo questões técnicas à fundo. São comentários em geral bem afetivos, ok? Se estiver esperando uma crítica coerente aqui, bueno, você veio ao blogue errado.



10) MAMMA MIA!


Ok! Ok! Não é bem o tipo de filme que eu acharia “um dos melhores do ano”, aliás, fui ver com vários pés atrás, depois de muita insistência do Malcon. É muito clichê, é muita breguice, é muito ABBA na cabeça, gente! Fiquei me sentindo uma bicha quarentona cantarolando as musicas e achando toda aquela palhaçada algo crível. Mas, realmente o charme desta comédia está no elenco divertido liderado por Meryl Streep numa atuação do tipo “dignidade até vestida de disco girl”. Ela consegue usar de todos os grandes clichês de “atores de musical” de forma genial. Um filme, talvez, pouco “importante para o cinema”, mas, digamos que às vezes uma atuação memorável já vale um filme todo. Leve sua mãe ou um amigo divertido e se prepare para o filme mais gay da década!



9) QUEIME DEPOIS DE LER


Os Cohen mal lançaram “Onde os Fracos não tem Vez” e já nos bombardeiam com uma nova pérola. Esses meninos são ultimamente meus diretores preferidos – pra mim “Fargo” e “O Homem que não Estava Lá” são dois dos clássicos de nosso tempo. Tudo de melhor dos Cohen está também nesse novo filme: violência, humor perverso, personagens patéticos, e uma coerência entre idéia e realização que dá inveja, gente! Frances McDormand está fantástica com suas obsessões por cirurgias plásticas para “reinventar” a si mesma. Uma atuação digna de prêmios, aplausos e muita “babação de ovo”. Só sei que quando acabou o filme eu fiquei com aquele sorriso de otário, depois de rir de tanta violência e crueldade, males que, como os Cohen já nos diziam em “Onde os Fracos não tem Vez”, parecem realmente sem solução.



8) VICKY CRISTINA BARCELONA


Woody é o nosso rei! Ele volta a acertar em cheio com este filme que tem no quarteto central de atores o carisma que qualquer diretor precisa pra ganhar nosso coraçãozinho. Assim como as irmãzinhas de “Razão e Sensibilidade”, Vicky (Rebecca Hall) e Cristina (Scarlett Johanson) são dois exemplos da impossibilidade de compreensão do que é o amor. Uma cheia de certezas, outra cheia de anseios inexplicáveis. Esse é um ponto central do filme: falar da nossa “super-capacidade” de definir os afetos, mesmo sem compreender quando eles estão diante do nosso nariz. Javier Barden em atuação charmozérrima e Penélope Cruz dando bafo a cada cinco minutos são outros pontos altos do filme. Só concordo com a Lola [Aronovich, do blog “Escreva Lola, Escreva”], que é muita ostentação pra um filme só. Cansa um pouco ver gente rica andando de jatinho, tomando vinhos em paisagens exóticas sem saber quem paga a conta. Fiquei me sentindo qualquer coisa, pois, minutos antes, eu estava achando um absurdo a minha pipoca custar mais caro que o ingresso! Mas a Rebecca Hall é um desbunde, de linda e de boa atriz!



7) SANGUE NEGRO


Acho um abuso isso: O Day Lewis fica anos sem fazer um filme e quando volta já “chega chegando”. Pra mim, em “Sangue Negro” ele chega ao auge de sua carreira, numa atuação tão refinada, tão cheia de detalhes, tão complexa, e tão difícil de definir que se eu encontrasse ele na rua, eu certamente gritaria: “Vai ser bom assim na puta que pariu!!!”. Paul Thomas Anderson é outro que – e isso já faz tempo – não precisa mais provar nada pra ninguém. É impressionante o quanto ele consegue investir num projeto totalmente novo em sua carreira, um filme com cara de “grandes épicos oscarizáveis”, e que, no entanto, exibe o melhor de suas características de diretor queridinho do cinema “alternativo”. “Sangue Negro” é um soco no estômago e busca nas origens da exploração do petróleo, uma discussão fortíssima sobre as ultimas guerras e conflitos políticos. Vale comentar que além de Day Lewis, tem o Paul Dano [o irmão que leu muito Nietzsche em “Pequena Miss Sunshine”] como um religioso desgraçado. A cena em que Lewis é “abençoado” por Dano em um culto religioso é algo antológico! Pelo menos aqui em casa vai ser sempre!



6) ESTÔMAGO


Filme porreta dirigido por Marcos Jorge, com roteiro cruel e inteligente, fotografia magistral, e belas atuações de João Miguel - um dos nossos melhores atores na ativa no Brasil- e Fabíula Nascimento - novata nas telas [acho eu] e dona de atuação segura e beeeemmm corajosa. Achei bárbara a maneira como o roteiro consegue fugir dos maniqueísmos e simplismos em que o cinema nacional anda se metendo quando resolve tocar nos “temas sociais”. Cheio de diálogos divertidos e muita comilança, o filme me deixava com fome e com nojo, ao mesmo tempo, uma combinação bem incômoda. Em “Estômago” tudo é muito visceral, e todo mundo é muito suspeito. Qualquer semelhança com a vida real...



5) A FAMÍLIA SAVAGE


Filmes de família com personagens patéticos e impasses dramáticos são sempre os filmes que mais me atraem. Em geral são filmes apoiados em bom roteiro e poucos e bons atores, e que não se propõem aos grandes recursos do “cinemão”. Este é um belo exemplo de filmes do gênero. Laura Linney, Phillip Seymour Hoffman, e Philip Bosco em atuações emocionantes, num filme sem “grandes cenas dramáticas” e que nos emociona pela sua simplicidade. Sempre acho que o que resulta simples é sempre mais difícil ainda de se conseguir, o que acontece nesse filme dirigido por Tamara Jenkis. Os personagens nos são revelados em pequenos suspiros, pequenas mentiras, algumas hesitações, num filme sem grandes reviravoltas, apostando numa sofisticada forma de revelar personagens que são gente como a gente: nos sorrisos falsos de Laura Linney e no seu excesso de “cuidado com o outro” vemos mais do que a personagem parece querer mostrar. E assim, o filme vai nos mexendo, sem querer provocar choradeiras ou grandes shows de atuaçào, mas nos pegando de leve, numa simplicidade que dói tanto quanto qualquer tapa de uma cena mega-dramática. O que é mais impactante, afinal?



4) ONDE OS FRACOS NÃO TEM VEZ

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Fazia tempo que não me arrepiava tanto nem dava pulos da cadeira. Eu diria que é o filme mais sombrio e insuportavelmente silencioso que eu lembro de ter visto. Josh Brolin [ele fazia “Os Goonies”, lembram?], Tommy Lee Jones e Javier Barden em excelentes trabalhos. A crueldade dos Cohen chega em seu ponto decisivo, tanto em termos da forma como é desenvolvida quando no da própria discussão do tema. Um misto dos bons e velhos filmes policiais [pancadaria, perseguição, tiroteio] e dos dramas silenciosos que te cutucam e te fazem sair do cinema sem entender o que está à sua volta. Aliás, os cinemas precisam voltar para espaços fora de shopping. Este eu vi em DVD, mas confesso que se tivesse visto no cinema e caísse de cara na praça de alimentação eu afogava alguém num milk shake.





3) NÃO ESTOU LÁ


Como fazer um filme sobre Bob Dylan sem precisar contar a vida de Bob Dylan? Acho que esse é o trunfo de “Não Estou lá”, dirigido por Todd Haynes, um dos melhores retratos sobre artistas que a minha cabecinha lembra agora. Mais que isso, uma discussão madura sobre o papel do artista em meio ao contexto social, os sentidos do fazer artístico, a relação vida e arte, entre outros temas delicados presentes aqui. Cate Blanchet e Charlotte Gainsbourgh estão fantásticas no filme, que ainda tem atuações inspiradas de Christian Bale, do falecido Heath Ledger e até de Richard Gere, gente! Vou contar uma bizarra: fui ver com o Turnes e o Marcelo [Schroeder, nosso novo pop star revelado pelo “La Gonga”] e os três choravam feito três criancinhas sem mãe [eu avisei que não ia ficar fazendo análise técnica neste post, desculpa]. “Não Estou Lá” é uma história sobre a busca pela alma, num filme que não pede licença, e nem se preocupa em se explicar demais. Saí querendo todos os discos do Bob lá em casa e mandando o povo do cinema político pro inferno.


2) JUNO


Eu odeio ficar comparando filmes, mas a comparação entre “Juno” e “Pequena Miss Sunshine” que todo mundo fez no ultimo ano é bem certeira, não apenas por serem dois independentes que chamaram a atenção das principais premiações do ano, mas por serem filmes de méritos técnicos bem semelhantes. Em primeiro lugar temos um roteiro que consegue atribuir bons papéis até para os coadjuvantes que aparecem pouquíssimo. É uma habilidade pouco comum essa: um roteirista conseguir criar dualidades e conflitos mesmo para os personagens menores sem perder a mão na hora de resolver o desfecho. A inteligência em “Juno” vai desde os diálogos ácidos, passando pela discussão nada conservadora sobre a gravidez precoce, até a abordagem extremamente emocionante em relação ao amor, no sentido ampliado da palavra. Acho que é por aí que o filme me pega: é um filme sobre o amor, que relembra as comédias românticas do Frank Capra e os diálogos recheados de tiradas à la Woody Allen. O elenco faz jus aos bons personagens e constrói seres humanos adoráveis e cheios de dilemas. Ellen Page e Alison Janey são outro destaque do filme: a primeira uma novata que dá alma e humor ao personagem título e a segunda uma coadjuvante já bem experiente, e que atua como a divertida madrasta modernex. Dirigir bom roteiro e este time de atores deve ter sido divetíssimo para Jason Reitmann, que nos delicia como uma das melhores histórias de amor dos últimos anos.


1) CONTROL


Honestamente não sei qual o principal mérito de “Control”, meu preferidinho dos filmes que vi em 2008. Não sei se é o fato de ser um filme sobre o Joy Division e sua sombria atmosfera musical. Não sei se é a fotografia impecável, ou a direção que aposta justamente nos fortes quadros em PB para criar uma atmosfera muito digna do som da banda inglesa. Não sei se são as atuações estupendas de Sam Riley e Samantha Morton, como Ian e Débora Curtis, respectivamente o vocalista da banda e sua esposa. Deve ser tudo isso junto que faz a gente sair do cinema atordoado e silencioso. O diretor Anton Corbjin, que traz na bagagem os videoclips de bandas como Depeche Mode, busca na atmosfera musical do Joy Division o tom deste retrato de um artista e sua tristeza talvez inexplicável. Não se sabe se a tristeza de Ian vem de sua doença, ou do fato de não poder viver de sua música. A primeira imagem de Ian no filme, muito antes de se descobrir epilético, já é uma imagem de profunda melancolia: ainda adolescente em seu quarto ouve o último vinil de David Bowie e fuma com o olhar perdido no teto... o mais próximo de um momento feliz que ele parece ter. Desta cena em diante “Control” é uma sucessão de melancolias, silêncios, vazios, e muito Joy Division. Simples e Genial.


Aí vai o trailer de Control:


6 de janeiro de 2009

Retrô 6 :: Achados e Perdidos

CINCO PÉROLAS
DE HOJE E DE ONTEM

por RENATO TURNES, ator, diretor e meu amigo.



:: categoria tio woody

Vicky Cristina Barcelona

A velha máxima que diz que qualquer filme ruim do Woody Allen é melhor que 99% da produção americana tem muito de verdade. A gente já vai ao cinema, ou aluga a fita, sabendo que vai ter no mínimo uma diversão cheia de classe, seja drama ou comédia. Admiro tanto os artistas que não se limitam a gêneros, e que não perdem identidade quando abordam seus temas sob óticas diferentes, que o tio Woody é um herói pra mim. E esse ainda estreiou no cinema, fato raro por aqui. Mas a nova comédia do tio Woody está entre seus melhores trabalhos cômicos dos últimos tempos. O filme é levíssimo, mas na leveza reflete sobre o amor e a paixão, sobre americanos e europeus, sobre escolhas e liberdade. O trio de protagonistas é lindo e sexy e hot e....ui. Penélope Cruz é um bafo. Barcelona é um personagem encantador (como Nova Iorque foi antes). Os diálogos são afiados como sempre e o encadeamento das ações é tão natural que os personagens parecem mesmo flutuar sobre a trama, deixando-se levar pelo encanto da paixão. Que roteirista incrível é o tio Woody!


:: categoria presente mais-que-perfeito

A Noite dos Mortos Vivos















Revi este ano, em cópia restauradíssima, dvd de luxo, presente de aniversário do adorável dono deste blog. O Dani bem conhece meu estranho gosto pela bizarrice e a demência. E por isso, o clássico seminal de George Romero foi o deleite do ano em dvd. Mítico, o filme P&B de 68 inventou a moderna mitologia do morto-vivo. Uma estética e um conceito do zumbi, inúmeras vezes replicados desde então, em diversas linguagens. O roteiro é perfeito: a falta de explicação, o tabu do canibalismo, a crítica social, tensão e claustrofobia, os personagens divididos, bem caracterizados, lutam pelo poder em meio ao terror total. E o final...absolutamente inesperado e nada redentor. E a filmagem é moderna, o filme vibra, com seqüências ótimas com a câmera na mão e inserções de linguagem documental. Muito sangue e vísceras que chocaram o mundo na época e hoje poderiam ser banais. Mas o que faz de A Noite dos Mortos Vivos obra de arte é que o embrulho não é só no estômago, é na moral. A metáfora do filme é subversiva e poderosa. Espetacular. Obrigado Dani. Amo.


:: categoria cinema nacional

Encarnação do demônio

O que dizer do novo longa de José Mojica Marins? Passamos o ano esperando, eu e Malcon, pela estréia. E foi demais. Ver um filme desse mestre no cinema foi uma experiência quase infantil. Foi lúdico e terrível. Foi como andar de trem fantasma. Uma brincadeira bizarra: a gente sabe que é falso aquilo é plástico e papelão, mas duvida disso às vezes. Dá medo. A gente se entrega por momentos e dá um frio na barriga e uma súbita vontade de pedir pra descer. Depois a gente se acha ridículo. Dá pra entender? Sabe quando a gente é criança e fica com pavor de dormir no escuro depois de ver um filme de terror na tv, escondido da mãe. É uma sensação incrível essa que uma obra de horror pode provocar. É de tirar a cartola. A volta de Zé do Caixão é triunfal. Ele retorna do buraco mais escuro pra apavorar os crentes, arrancar escalpos, enfiar ratos nas bucetas, tirar uma noiva da barriga de um porco, descer ao inferno numa orgia lisérgica de Zé Celso. Assombroso. Tudo isso pra fazer um filho na mulher perfeita, que continuará sua linhagem superior, levando ao mundo o medo em estado bruto. Encarnação do Demônio tem tudo de Mojica: as obsessões primais, a heresia, o corpo maculado, a violência gráfica, certa tosquice nas interpretações, o humor, toda a mitologia sinistra do personagem. O mau e velho Josefel Zanatas. Junte-se a isso o primor da produção e temos o melhor filme de terror que o Brasil já produziu. Genial é pouco. Só podia ser obra do Seo Zé.

:: categoria matiné

Os Saltimbancos Trapalhões

Revi no Canal Brasil a adorável adaptação para o cinema do musical de Chico Buarque, estrelada pelos Trapalhões. Um dos meus filmes favoritos, que eu guardo sempre com carinho na memória. É tocante ver os comediantes no circo, interpretando artistas em busca do sonho do sucesso e comendo macarrão todo dia. Eu me identifico. Tem a tradicional parte do romance, claro, e muitas palhaçadas que são a cara dos Trapalhões em sua melhor forma. O quarteto está ótimo, à vontade no circo, que é mesmo a terra deles. As músicas são pequenas jóias. E Lucinha Lins canta muito. Zacarias era um ator de caracterização incrível, Mussum um paradoxo: um alcoólatra para crianças, Dedé a escada inteligente e o Didi...como o Didi foi engraçado um dia. Naquela semana fiquei cantando Hollywood sem parar. E aquela lágrima que escorre do burro no final dá um nó no coração.

:: categoria demorei pra alugar

Império dos sonhos

Eu tenho medo de David Lynch. Ele é um artista completo, um cineasta autoral, um doido de pedra. Pra curtir Império dos Sonhos devemos abandonar coisas as quais somos muito apegados, tipo as noções da narrativa realista, por exemplo. Ou unidades aristotélicas. Ou construção psicológica dos personagens. Não existe regra no universo demente do diretor. Não existe realidade ou ficção. Tudo é meio fantástico, a atmosfera é inebriante e emocional. Paisagens emocionais, falou o Marcelo (ele é tão sensível...). Luta-se constantemente com a compreensão, apegados que somos a esses dogmas. Mas existe um prazer estético, que não tem explicação. É parecido com o que a música faz, eu acho. Você não consegue pegar a música, você não a vê, não a entende, mas ela te diz e te toca e você viaja nessas sensações. É um filme música. Sabe, como o Malcon diz, com aquele seu jeitinho ironicuzinho: "é pra sentir, não é pra entender..." É assim mesmo. Só que muito verdadeiro. Lynch é um artista livre e se expressa através de camadas simbólicas muito mais sutis que a maioria dos outros mortais. Tem que se entregar, não dá pra ficar querendo entender, tem que desistir. E quando a gente desiste a gente vê Laura Dern excelente, uma espécie de Alice entrando em portas que dão para dimensões cada vez mais escuras, numa espécie de labirinto de si mesmo. Peguei na mão dela e fui junto.

29 de dezembro de 2008

Retrô 5 :: Os Melhores Filmes de 2008!

OS MELHORES FILMES DE 2008

POR MALCON BAUER [again!]



10 – Estômago (idem)



“O ser humano é estômago e sexo”, dizia o cartaz de “Amarelo Manga”. Pois o diretor estreante em longas Marcos Jorge levou esta idéia até as últimas conseqüências ao contar a saga de Raimundo Nonato, paraibano que vem tentar a sorte em São Paulo. Seu dom para a cozinha leva-o a subir na vida e encontrar um par perfeito: uma prostituta com apetite descomunal. É esse interessante paralelo entre fome alimentar e sexual que conduz o filme, levando-nos a experimentar sensações de desejo, apetite e repulsa que remetem ao clássico “A Comilança”,do italiano Marco Ferreri . O ator João Miguel (de “Cinemas, Aspirinas e Urubus”) realiza um grande trabalho, tornando seu Raimundo um anti-herói simpático e, ao mesmo tempo, não-confiável. A montagem não linear torna tudo mais interessante, e o que parecia não prometer muito vira um grande filme, com ótimos diálogos e atuações. Uma agradável surpresa no cinema nacional em 2008.

09- Vicky Cristina Barcelona (idem)



Woody Allen engraçado como não se via desde, provavelmente, “Desconstruindo Harry”. O choque cultural inicial entre Scarlett Johansson e Regina Hall, as duas amigas de N.Y que vão passar as férias de Espanha, e os calientes moradores locais Javier Bárdem e Penélope Cruz logo cede lugar a uma ciranda de paixões sensual e engraçadíssima. O elenco está perfeito, mas convém ressaltar o trabalho de Penélope, que já provou ser uma grande atriz quando dirigida pelas pessoas certas. É pra ver, rir, e sentir vontade de se entregar ardentemente a todos os protagonistas... Todos!

08 - O Orfanato (El Orfanato)



Nada como uma história de fantasmas bem contada. “O Orfanato” pode não inovar na sua idéia central (casal se muda com o filho para casa onde funcionava um orfanato, e coisas estranhas começam a acontecer), mas a condução da trama é o que chama a atenção. O diretor espanhol novato Juan Antonio Bayona mostra-se no absoluto domínio da situação, criando um clima sufocante de tensão e cenas de suspense de fazer pular da cadeira. A atriz Belén Rueda apresenta um trabalho marcante, levando sua personagem da incredulidade ao desespero de maneira sutil, até que a terrível verdade lhe é revelada. “O Orfanato” é daqueles filmes que ficam no canto da videolocadora. Procure! Não vai se arrepender. E de brinde, você verá Edgar Vivar, o Sr. Barriga do “Chaves”, no papel de um estudioso de fenômenos fantasmagóricos.


07- Encarnação do Demônio (idem)



O mestre está de volta! Após 40 anos, José Mojica Marins finalmente completa a saga de Zé do Caixão nos cinemas. Com muito mais dinheiro do que o habitual, Mojica não deixa de lado o tipo de terror que sempre fez. Porém, desta vez, apresentando maior cuidado na produção. E entrega um filme violento, forte, assustador e engraçado como esperávamos há quatro décadas. E foi um fracasso retumbante. Uma pena. Os brasileiros ainda preferem assistir coisas como “Jogos Mortais V”. Perto da crueza de Mojica, esse tipo de filme parece um desenho dos Ursinhos Carinhosos.


06 – Juno (idem)



Uma pequena comédia sobre uma jovem grávida que decide dar seu filho para a adoção. Simples assim. “Juno” é o “Pequena Miss Sunshine” deste ano. Direção segura de Jason Reitman, personagens cativantes, trilha sonora esperta e pronto: não dá pra resistir. Ellen Page surpreende com a protagonista, dando profundidade à sua personagem e tornando-a a adolescente mais interessante já vista nos cinemas. Mas o maior mérito é da oscarizada Diablo Cody, a ex-stripper e blogueira que virou roteirista. Seu texto flui de forma fantástica, e seus personagens falam como pessoas normais. Ela é uma das novas queridinhas de Hollywood, e espero com ansiedade sua próxima empreitada.


05- Ensaio sobre a Cegueira (Blindness)



A adaptação do best-seller de José Saramago sempre pareceu difícil. Mas Fernando Meirelles topou o desafio de tornar em imagens... a cegueira. O resultado é muito bom. O diretor alcança um equilíbrio preciso entre respeito à obra original, ao mesmo tempo em que cria uma obra com personalidade própria. É neste equilíbrio que reside a beleza do filme. Também em uma fotografia e uma trilha sonora que nos deixam tão desorientados quanto os cegos que habitam o universo de “Blindness”. Por fim, Julianne Moore entrega a performance de sua carreira como a mulher do médico, uma personagem nada de heróica, e que deseja mais do que tudo não poder ver aquilo que é obrigada a testemunhar.

04- Mamma Mia! (idem)



Um musical passado na Grécia, contendo na trilha apenas canções do grupo “ABBA”. O que esperar disso? Um filme absolutamente delicioso, daqueles que te fazem sair do cinema com um imenso sorriso no rosto. O grande barato de “Mama Mia!” é que, ao contrário da maioria dos musicais, já se conhece as músicas. E torna-se um prazer quase orgásmico perceber os primeiros acordes de “Mamma Mia”, “Dancing Queen”, ou “I do, I do, I do, I do, I do” surgirem na tela. E ao contrário do arrastado “Across the Universe” (aquele com músicas do Beatles), a história do filme é dinâmica, engraçada, e promove um encaixe perfeito das canções. Meryl Streep rejuvenesce 10 anos numa performance fantástica, cheia de energia e emocionante (Se “The Winner Takes it All” não der um nó na sua garganta, você não tem coração!) que, espero, não deverá ser esquecida no Oscar 2009. E não posso esquecer minha coadjuvante preferida, Christine Baransky, como a amiga rica e botocada, esbanjando carisma em “Does Your Mother Know”. Veja de coração aberto. É brega? Sim! Mas com tudo que a breguice tem de melhor.


03 - Wall-E (idem)



Ano passado elegi “Ratatouille” o melhor filme e várias pessoas torceram o nariz. Achei que a Pixar havia atingido seu auge técnico e, principalmente, emocional. Até testemunhar a odisséia de um pequeno robô com olhos de binóculos em busca de sua amada. “Wall-E” não é apenas uma mega-aventura espacial repleta de incríveis efeitos especiais que deslumbram nossos olhos e mentes. É a mais bela história de amor que apareceu nos cinemas em 2008. É pura poesia, como no balé que Wall-E e Eva protagonizam no espaço sideral. Uma verdadeira e incontestável obra de arte.


02 – Batman - O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight)



“Why so serious?” Sim, a trágica morte de Heath Ledger fez todos os holofotes caírem sobre o personagem do Curinga, criando uma enorme expectativa nesta continuação do sucesso de Cristopher Nolan, “Batman Begins”. Mas TDK (para os íntimos) é muito mais que a magnífica presença do vilão de cara borrada. É uma história sobre as escolhas que fazemos, sobre um homem que lutou pelo que é certo e caiu em desgraça: Harvey Dent (Aaron Eckhart). Sua jornada, que culmina no surgimento do Duas-Caras, é de uma sensibilidade raramente vista em um blockbuster. Um Batman optando por ser um pária e um Curinga psicótico e apavorantemente engraçado são peças chaves nesta trágica história. Um roteiro nunca menos que perfeito nos conduz nesta aventura irretocável, onde não existem homens bons ou maus. Existem apenas homens que optam pelo caminho que acham necessário.


01 - Sangue Negro (There Will be Blood)



Incômodo. Não existe um momento, nas quase três horas de duração deste filme em que não me senti incomodado. Seja pela fotografia épica, pela trilha sonora estranha e fantástica ou pela brilhante interpretação do elenco. Este último encabeçado por Daniel Day-Lewis em estado de graça como um inescrupuloso explorador de campos de petróleo. Seu personagem é egoísta, rude, capaz de grandes atos de maldade... e de um carisma que só um grande ator seria capaz de possuir. O diretor de “Magnólia” criou uma obra-prima do cinema, feita para ser vista mais de uma vez. A frase “Eu bebo seu milkshake!” não abandonará sua cabeça tão cedo.

[...]

MENÇÕES HONROSAS

(ótimos filmes que entrariam na lista se ela fosse maior):

“Queime Depois de Ler”, “Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet”, “[REC]”, “O Nevoeiro”, “Cloverfield – Monstro”, “Onde os Fracos Não tem Vez”, “Agente 86” e “A Culpa é do Fidel”.


[...]

Mais listas vindo por aí!

Beijos!


23 de dezembro de 2008

Retrô 3 :: Movies´s Garbage Set

Preparem seus estilingues: Ele está de volta!



OS 10 PIORES FILMES DE 2008

Por M
ALCON BAUER, ator, roteirista e meu amigo



10- High School Musical 3: Ano de Formatura
(High School Musical 3: Senior Year)



Em primeiro, só vi este filme porque levei meus pais ao cinema e já tinha visto todos os outros em cartaz. É até louvável que a série HSM tenha apresentado os musicais para uma nova geração, mas é ruim demais! Canções chatinhas, coreografias tolas (tirando um ou outro número até interessante), e o excesso de bom-mocismo dos protagonistas acabam com as chances de se ver um bom filme. Mas parece que pelo menos a série acabou. Até termos “HSM 4: Coreô na Faculdade”.


09- O Guru do Amor (The Love Guru)



Outro que me decepcionou este ano. Mike Myers, criador do genial “Austin Powers”, levou cinco anos pra voltar aos cinemas pra isso? O filme até é engraçado em alguns momentos, mas as piadas e caretas são tão parecidas com as do espião inglês que não dá pra encarar sem torcer o nariz. Até Verne Troyer (O Mini-min) está lá! Só faltou o Dr. Evil...


08- Os Aloprados (Semi-Pro)



Adoro Will Ferrel. Mas desta vez ele errou feio. A saga de um pequeno time de basquete tentando chegar à NBA tem pouquíssimas piadas engraçadas, o que é a morte de uma comédia. Ainda bem que ele lançou “Quase Irmãos” em seguida, e recuperou um pouco de minha confiança nele.


07- A Múmia: Tumba do Imperador Dragão (The Mummy: Tombo f Dragon Emperor)



Precisava de um terceiro “A Múmia”? Rachel Weisz achou que não, e pulou fora. Uma pena, pois ela fez falta. O filme segue a fórmula de sempre: cenas de aventura ao redor do mundo, piadinhas prontas e efeitos especiais mastodônticos que não deixam sobrar um resquício de verossimilhança. Nada contra, mas está repetitivo demais. Porém, nada é tão picareta quanto a alardeada presença de Jet Li. Ele aparece nos primeiros 10 minutos do filme e volta nos últimos 15, sendo substituído nos outros 80 minutos por dublês digitais. Que patacoada!


06- Polaróides Urbanas



Miguel Falabella tenta ser Pedro Almodóvar. Adaptando sua própria peça “Como encher um biquína selvagem”,é perceptível a vontade do diretor em equilibrar humor e drama com um toque brega e trágico. Mas as piadas não funcionam. E o drama funciona pouco. Marília Pêra beira a histeria e Arlette Salles vai na onda. Somente se salva a ótima Stela Miranda, como uma atendente do CVV. É dela a melhor trama do filme, e a única cena que emociona de verdade.


05- Asterix nos Jogos Olímpicos (Asterix aux Jeux Olympiques)



Eu adoro o Asterix. Por isso, me dói muito assistir um filme onde ele e Obelix são condenados a coadjuvantes. Como isso pode ser possível? Ainda mais quando o suposto personagem principal é um Brutus sem graça e um casal romântico mais sem graça ainda. Além disso, um epílogo longo demais termina de vez com qualquer boa lembrança que o filme possa lhe trazer.


04-Fim dos Tempos (The Happening)



M. Night Shyamalan está indo pro buraco. Se “A Dama na Água” dividiu opiniões, este filme é o fundo do poço. A boa premissa (algo no ar está fazendo as pessoas cometer suicídio) se perde em diálogos estúpidos, Mark Whalberg com a testa franzida, Zooey Deschannel com cara de retardada e muitas cenas de pessoas fugindo do vento. Suspense zero, e um dos finais mais idiotas dos últimos anos. Deviam ter traduzido o título original pra algo como “O Babado” ou “O Bafão”, pois de “Fim dos Tempos” não tem nada!


03- Doce de Côco



Depois do clássico “Procuradas”, chega esta pretensa comédia que não tem graça, mas tem protagonistas sem timing cômico nenhum e um final que não dá pra entender (Tortura policial? Alguém?). Reparem na lápide do cemitério que aponta o ano da morte de alguém, sendo que o filme se passa vários anos antes... Cruzes!


02- Alien Vs. Predador 2 (Alien Vs. Predator: Réquiem)



Se o primeiro filme já tinha sido ruim, o que esperar do segundo? Algo pior, claro! Personagens desinteressantes, lutas sem graça (e uma fotografia tão escura que nem dá pra ver direito) e muito aborrecimento. Pelo menos uma mulher grávida é morta... não se vê isso muito por aí em Hollywood.


01- Espartalhões (Meet the Spartans)



Os gênios que nos deram “Deu a Louca em Hollywood” atacam de novo. E este filme é tão sem graça quanto os anteriores, com muitas piadas envolvendo os filmes do ano, peidos, mulheres seminuas e a Britney Spears. E nem mesmo eu tive coragem de ver aquela que já é considerada a maior pérola do ano: “Super-Heróis: A Liga da Injustiça”. Este último foi um fracasso... Talvez ano que vem estejamos salvos!

[...]

Mais listas de músicas e filmes nos próximos dias!

29 de julho de 2008

Love Will Tear Us Apart



Quem não viu ainda tem a obrigação de sair de casa já pra ver Control, produção porreta do ano passado sobre a vida do eterno vocalista do Joy Division, Ian Curtis, e o surgimento da banda. Um filme pra arrepiar e afogar em lágrimas, com atuações belíssimas do novato Sam Riley (a imagem da dor de Curtis em pessoa) e da fantástica Samantha Morton, que interpreta Deborah Curtis, sua ex-mulher, e autora do livro em que o filme se inspira.

Uma das grandes sensações do cinema indie europeu, e também da Mostra de Cinema de São Paulo do ano passado, Control tem direção de Anton Corbijn, experiente diretor de video clipes que acerta em cheio ao fazer um filme pouco preocupado com o exercício narrativo... Control mais parece uma sequencia de fotos entristecidas de uma Inglaterra assolada pelo desemprego, pela recessão, e pela melancolia de gente como Curtis que, como qualquer, poderia ser esquecido não fosse por sua obra ensurdecedora. Uma história triste de um homem abatido pelas dores que não se pode descrever em diálogos.

O silêncio e o assombro de sua alma só poderia gerar hits como "She´s Lost Control" ou "Insight" ou ainda "Transmission" e "Love will tear us apart", canções que não poderiam deixar de compor a trilha do filme, e emoldurar essa obra simples, sem grandes charmes narrativos, porém uma experiência para acinzentar a alma e torcer o pescoço.

8 de janeiro de 2008

Top 9 vistos em 2007


por Renato Turnes
diretamente do Festival de Cinema de Horror de Moscou


Essa lista é de filmes que eu vi e gostei em 2007, a cronologia é doida, tem filme véio, filme novo, não tem ordem. E também não tem ordem de melhores, fui lembrando e escrevendo.


Vamo lá!


M – O Vampiro de Düsseldorf

O clássico do expressionismo sonoro de Fritz Lang é um espetáculo de montagem profundamente emocional. O P&B deslumbrante sugere sombras mais psíquicas que monstruosas. A mis-en-scene rígida, limpa e simbólica consegue extrair sentimentos sinceros do elenco, liderado por um Peter Lorre de olhos esbugalhados e cara de doidão. Seu monólogo final soa um tanto demodé, em grande estilo teatrão, mas marca uma época de transição, na qual o cinema deixou-se encantar pelo verbo.


Macunaíma




O herói sem caráter de Mário de Andrade é revisto sob a ótica tropicalista e antropofágica de Joaquim Pedro de Andrade. Moderno, irreverente, hilário, colorido, farsesco, lindo de se ver. Paulo José é um grande ator jovem pulsando criatividade e inteligência cênica. Grande Otelo é a encarnação da chanchada, palhaço mestre nesse estilo genuinamente brasileiro de atuar. Dina Sfat é a diva que o Brasil perdeu cedo demais. Obra – prima irretocável.


Os Incompreendidos



Godard é um chato. O maior cineasta da França é Truffaut e não se fala mais nisso. Seu cinema comunica, emociona, é delicado e poético sem ensimesmar-se e se auto-alimentar em seu próprio discurso. Nesse filme o mestre apresenta o garoto Antoine Doinel, personagem alter-ego. Protagonista de várias produções posteriores, sempre foi interpretado por Jean Pierre Leaud, que cresceu sob a batuta do mestre. Autobiográfico, emocionante, leve, amoroso, cinema em cada fotograma. Nouvelle Vague para todo mundo.


O Mensageiro Trapalhão

Jerry Lewis continua sendo um gênio outsider, mesmo depois de décadas de encantamento que sua arte produziu. Clown loser e apaixonante, o ator-diretor-roteirista-produtor esbanja seu gigantesco talento histriônico nessa obra-prima do humor físico. O roteiro nada convencional é uma colcha de retalhos de esquetes quase sem ligação entre si, nos quais o cômico desvia o andamento natural das coisas em favor da graça absoluta. Clássico, vanguarda, metalinguístico, auto-referente, anárquico, Jerry é uma inspiração e um tesouro.


Mais Estranho que a Ficção



Se os roteiros de Charlie Kauffman já fizeram escola e já viraram estilo, essa é a melhor das cópias. Divertido e tocante, o filme mistura inconsciente, fantasia, literatura e romance sem parecer um caos moderninho, um pastiche kauffmaniano. Tem identidade própria, apesar das referências tão próximas. E ainda revela um Will Ferrel muito além do vaudeville.


À Prova de Morte

Sim eu já vi o novo Tarantino. Me segurei na poltrona e viajei no estilo do enfant terrible americano e seu cinema de referências nada esperadas. Death Proof é engraçado, sexy, violento e catártico. É setentista, retrô, underground, tem mulher gostosa e poderosa, a trilha é genial, como sempre. E ainda dei vexame dando gritinhos de UHÚ na seqüência final. É cinema pra se divertir, de um diretor que domina seu estilo com absoluta propriedade.


Piaf

Cinemão francês feito pra chorar. Muito bem feito pra chorar. Melodramático, exagerado, emocional, arrepiante, dramático....ui que delícia. É pra se entregar e pronto. O tom trágico é coerente com a vida da estrela francesa, que tinha a tragédia enfiada na alma e colada na voz. A seqüência em que Piaf recebe a triste notícia sobre seu amado Marcel é filmada com uma sofisticação e um lirismo inesquecíveis. E ainda recebemos a interpretação gigantesca de Marion Cotillard como um soco na boca do estômago. Sua caracterização é inebriante e as transições que constrói dignas de um monstro sagrado da arte de ser outro, e ainda ser tão sincero. Sua Piaf dói.


Pequena Miss Sunshine



Num universo cheio de tecnologias, motions captures, Dakotas Fannings (medo!), digitalismos, astros temperamentais e as mesmas velhas histórias recontadas, surge essa pequena pérola do melhor cinema independente americano, provando que cinema pode ser roteiro, ator, e uma kombi. E claro uma direção sutil e sensível que não quer aparecer mais que seus personagens. Ah! E uma criança que parece criança. Apaixonante road movie.


Horror de Frankenstein

Um clássico da Hammer Films, produtora inglesa célebre pelas adaptações de horror de baixo orçamento, violentas, kitsches, às vezes patéticas. Mojica, Coppolla e Polanski, os jovens cineastas e videomakers do trash, todos beberam nessa fonte de terror fake, nesses cenários de casa de vó, cobertos de papel de parede e móveis de brechó, nesses figurinos reaproveitados, nesses atores de fleuma britânica e impostação duvidosa. Para quem não se importa com a necessidade de verossimilhança que o cinema realista nos ensinou e se entrega ao jogo e à fantasia. E é capaz de rir em meio à carnificina.

(...)

Essa semana tem a ultima lista... que é do dono da casa!