25 de agosto de 2008

Eles passarão. Alzira, passarinho

Tinha percevejo na alma da Alzira. Tinha ferrugem nas juntas, limo nas botas. Tinha medo do tédio, ódio de viver sem o controle remoto no braço do sofá. Mulher furada feito tábua de tiro ao álvaro, bebia água e chorava por tudo que era canto do corpo. Vazia, a megera... ainda dizia que estava seca, mas não. Que estava suja, mas não. Que estava morta, mas não. Antes estivesse morta a Alzira – isto só ela pensava. Sabia quase nada da vida. Sábia nada de ser passarinho, sabia nada de afagar de verdade alguém, sabia nada sobre percevejos, ferrugem e limo. Era linda, viva, - alguém podia até dizer que era doce, que era menina. Faltava Alzira vesguear o olhar e ver um pardal na ponta de seu nariz. Quis achar que era uma típica cadela, mas não: diziam que Alzira era passarinho.

3 comentários:

gregory haertel disse...

e eis que ninguém muda aquilo que é.
e viva alzira passarinho!!!

André disse...

Tá na hora de botar as asinhas pra bater, aprender a voar em outros caminhos, sentir o vento batendo no rosto e a sensação de liberdade. vai exercitar pra curar essa ferrugem!!

Enzo Potel disse...

muié criativa