29 de dezembro de 2008

Retrô 5 :: Os Melhores Filmes de 2008!

OS MELHORES FILMES DE 2008

POR MALCON BAUER [again!]



10 – Estômago (idem)



“O ser humano é estômago e sexo”, dizia o cartaz de “Amarelo Manga”. Pois o diretor estreante em longas Marcos Jorge levou esta idéia até as últimas conseqüências ao contar a saga de Raimundo Nonato, paraibano que vem tentar a sorte em São Paulo. Seu dom para a cozinha leva-o a subir na vida e encontrar um par perfeito: uma prostituta com apetite descomunal. É esse interessante paralelo entre fome alimentar e sexual que conduz o filme, levando-nos a experimentar sensações de desejo, apetite e repulsa que remetem ao clássico “A Comilança”,do italiano Marco Ferreri . O ator João Miguel (de “Cinemas, Aspirinas e Urubus”) realiza um grande trabalho, tornando seu Raimundo um anti-herói simpático e, ao mesmo tempo, não-confiável. A montagem não linear torna tudo mais interessante, e o que parecia não prometer muito vira um grande filme, com ótimos diálogos e atuações. Uma agradável surpresa no cinema nacional em 2008.

09- Vicky Cristina Barcelona (idem)



Woody Allen engraçado como não se via desde, provavelmente, “Desconstruindo Harry”. O choque cultural inicial entre Scarlett Johansson e Regina Hall, as duas amigas de N.Y que vão passar as férias de Espanha, e os calientes moradores locais Javier Bárdem e Penélope Cruz logo cede lugar a uma ciranda de paixões sensual e engraçadíssima. O elenco está perfeito, mas convém ressaltar o trabalho de Penélope, que já provou ser uma grande atriz quando dirigida pelas pessoas certas. É pra ver, rir, e sentir vontade de se entregar ardentemente a todos os protagonistas... Todos!

08 - O Orfanato (El Orfanato)



Nada como uma história de fantasmas bem contada. “O Orfanato” pode não inovar na sua idéia central (casal se muda com o filho para casa onde funcionava um orfanato, e coisas estranhas começam a acontecer), mas a condução da trama é o que chama a atenção. O diretor espanhol novato Juan Antonio Bayona mostra-se no absoluto domínio da situação, criando um clima sufocante de tensão e cenas de suspense de fazer pular da cadeira. A atriz Belén Rueda apresenta um trabalho marcante, levando sua personagem da incredulidade ao desespero de maneira sutil, até que a terrível verdade lhe é revelada. “O Orfanato” é daqueles filmes que ficam no canto da videolocadora. Procure! Não vai se arrepender. E de brinde, você verá Edgar Vivar, o Sr. Barriga do “Chaves”, no papel de um estudioso de fenômenos fantasmagóricos.


07- Encarnação do Demônio (idem)



O mestre está de volta! Após 40 anos, José Mojica Marins finalmente completa a saga de Zé do Caixão nos cinemas. Com muito mais dinheiro do que o habitual, Mojica não deixa de lado o tipo de terror que sempre fez. Porém, desta vez, apresentando maior cuidado na produção. E entrega um filme violento, forte, assustador e engraçado como esperávamos há quatro décadas. E foi um fracasso retumbante. Uma pena. Os brasileiros ainda preferem assistir coisas como “Jogos Mortais V”. Perto da crueza de Mojica, esse tipo de filme parece um desenho dos Ursinhos Carinhosos.


06 – Juno (idem)



Uma pequena comédia sobre uma jovem grávida que decide dar seu filho para a adoção. Simples assim. “Juno” é o “Pequena Miss Sunshine” deste ano. Direção segura de Jason Reitman, personagens cativantes, trilha sonora esperta e pronto: não dá pra resistir. Ellen Page surpreende com a protagonista, dando profundidade à sua personagem e tornando-a a adolescente mais interessante já vista nos cinemas. Mas o maior mérito é da oscarizada Diablo Cody, a ex-stripper e blogueira que virou roteirista. Seu texto flui de forma fantástica, e seus personagens falam como pessoas normais. Ela é uma das novas queridinhas de Hollywood, e espero com ansiedade sua próxima empreitada.


05- Ensaio sobre a Cegueira (Blindness)



A adaptação do best-seller de José Saramago sempre pareceu difícil. Mas Fernando Meirelles topou o desafio de tornar em imagens... a cegueira. O resultado é muito bom. O diretor alcança um equilíbrio preciso entre respeito à obra original, ao mesmo tempo em que cria uma obra com personalidade própria. É neste equilíbrio que reside a beleza do filme. Também em uma fotografia e uma trilha sonora que nos deixam tão desorientados quanto os cegos que habitam o universo de “Blindness”. Por fim, Julianne Moore entrega a performance de sua carreira como a mulher do médico, uma personagem nada de heróica, e que deseja mais do que tudo não poder ver aquilo que é obrigada a testemunhar.

04- Mamma Mia! (idem)



Um musical passado na Grécia, contendo na trilha apenas canções do grupo “ABBA”. O que esperar disso? Um filme absolutamente delicioso, daqueles que te fazem sair do cinema com um imenso sorriso no rosto. O grande barato de “Mama Mia!” é que, ao contrário da maioria dos musicais, já se conhece as músicas. E torna-se um prazer quase orgásmico perceber os primeiros acordes de “Mamma Mia”, “Dancing Queen”, ou “I do, I do, I do, I do, I do” surgirem na tela. E ao contrário do arrastado “Across the Universe” (aquele com músicas do Beatles), a história do filme é dinâmica, engraçada, e promove um encaixe perfeito das canções. Meryl Streep rejuvenesce 10 anos numa performance fantástica, cheia de energia e emocionante (Se “The Winner Takes it All” não der um nó na sua garganta, você não tem coração!) que, espero, não deverá ser esquecida no Oscar 2009. E não posso esquecer minha coadjuvante preferida, Christine Baransky, como a amiga rica e botocada, esbanjando carisma em “Does Your Mother Know”. Veja de coração aberto. É brega? Sim! Mas com tudo que a breguice tem de melhor.


03 - Wall-E (idem)



Ano passado elegi “Ratatouille” o melhor filme e várias pessoas torceram o nariz. Achei que a Pixar havia atingido seu auge técnico e, principalmente, emocional. Até testemunhar a odisséia de um pequeno robô com olhos de binóculos em busca de sua amada. “Wall-E” não é apenas uma mega-aventura espacial repleta de incríveis efeitos especiais que deslumbram nossos olhos e mentes. É a mais bela história de amor que apareceu nos cinemas em 2008. É pura poesia, como no balé que Wall-E e Eva protagonizam no espaço sideral. Uma verdadeira e incontestável obra de arte.


02 – Batman - O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight)



“Why so serious?” Sim, a trágica morte de Heath Ledger fez todos os holofotes caírem sobre o personagem do Curinga, criando uma enorme expectativa nesta continuação do sucesso de Cristopher Nolan, “Batman Begins”. Mas TDK (para os íntimos) é muito mais que a magnífica presença do vilão de cara borrada. É uma história sobre as escolhas que fazemos, sobre um homem que lutou pelo que é certo e caiu em desgraça: Harvey Dent (Aaron Eckhart). Sua jornada, que culmina no surgimento do Duas-Caras, é de uma sensibilidade raramente vista em um blockbuster. Um Batman optando por ser um pária e um Curinga psicótico e apavorantemente engraçado são peças chaves nesta trágica história. Um roteiro nunca menos que perfeito nos conduz nesta aventura irretocável, onde não existem homens bons ou maus. Existem apenas homens que optam pelo caminho que acham necessário.


01 - Sangue Negro (There Will be Blood)



Incômodo. Não existe um momento, nas quase três horas de duração deste filme em que não me senti incomodado. Seja pela fotografia épica, pela trilha sonora estranha e fantástica ou pela brilhante interpretação do elenco. Este último encabeçado por Daniel Day-Lewis em estado de graça como um inescrupuloso explorador de campos de petróleo. Seu personagem é egoísta, rude, capaz de grandes atos de maldade... e de um carisma que só um grande ator seria capaz de possuir. O diretor de “Magnólia” criou uma obra-prima do cinema, feita para ser vista mais de uma vez. A frase “Eu bebo seu milkshake!” não abandonará sua cabeça tão cedo.

[...]

MENÇÕES HONROSAS

(ótimos filmes que entrariam na lista se ela fosse maior):

“Queime Depois de Ler”, “Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet”, “[REC]”, “O Nevoeiro”, “Cloverfield – Monstro”, “Onde os Fracos Não tem Vez”, “Agente 86” e “A Culpa é do Fidel”.


[...]

Mais listas vindo por aí!

Beijos!


26 de dezembro de 2008

Retrô 4 :: No coração do meu MP3 em 2008!

Eles salvaram a minha vida nesse ano. Não peça para explicar, mas tem coisas que só a música resolve na vida da gente! Nenhum critério técnico musical foi usado, até porque eu nem sou da área. É tudo bem lá do coraçãozinho mesmo!



Beirut "Elephant Gun"




Marcelo Camelo & Mallu Magalhães "Janta"




Nick Cave & The Bad Seeds "Dig, Lazarus, Dig!!!"




Maria Bethânia e Omara Portuondo "Marambaia"




Cat Power "The Dark End of the Street"




Arnaldo Antunes "Num dia"




Feist "I Feel it All"




Hot Chip "Ready for the Floor"




Julieta Venegas "Limón y Sal [Unplugged]"




Chico César "Deus me Proteja"




CSS - Cansei de Ser Sexy "Rat is Dead [Rage]"




Goldfrapp "Happiness"

23 de dezembro de 2008

Retrô 3 :: Movies´s Garbage Set

Preparem seus estilingues: Ele está de volta!



OS 10 PIORES FILMES DE 2008

Por M
ALCON BAUER, ator, roteirista e meu amigo



10- High School Musical 3: Ano de Formatura
(High School Musical 3: Senior Year)



Em primeiro, só vi este filme porque levei meus pais ao cinema e já tinha visto todos os outros em cartaz. É até louvável que a série HSM tenha apresentado os musicais para uma nova geração, mas é ruim demais! Canções chatinhas, coreografias tolas (tirando um ou outro número até interessante), e o excesso de bom-mocismo dos protagonistas acabam com as chances de se ver um bom filme. Mas parece que pelo menos a série acabou. Até termos “HSM 4: Coreô na Faculdade”.


09- O Guru do Amor (The Love Guru)



Outro que me decepcionou este ano. Mike Myers, criador do genial “Austin Powers”, levou cinco anos pra voltar aos cinemas pra isso? O filme até é engraçado em alguns momentos, mas as piadas e caretas são tão parecidas com as do espião inglês que não dá pra encarar sem torcer o nariz. Até Verne Troyer (O Mini-min) está lá! Só faltou o Dr. Evil...


08- Os Aloprados (Semi-Pro)



Adoro Will Ferrel. Mas desta vez ele errou feio. A saga de um pequeno time de basquete tentando chegar à NBA tem pouquíssimas piadas engraçadas, o que é a morte de uma comédia. Ainda bem que ele lançou “Quase Irmãos” em seguida, e recuperou um pouco de minha confiança nele.


07- A Múmia: Tumba do Imperador Dragão (The Mummy: Tombo f Dragon Emperor)



Precisava de um terceiro “A Múmia”? Rachel Weisz achou que não, e pulou fora. Uma pena, pois ela fez falta. O filme segue a fórmula de sempre: cenas de aventura ao redor do mundo, piadinhas prontas e efeitos especiais mastodônticos que não deixam sobrar um resquício de verossimilhança. Nada contra, mas está repetitivo demais. Porém, nada é tão picareta quanto a alardeada presença de Jet Li. Ele aparece nos primeiros 10 minutos do filme e volta nos últimos 15, sendo substituído nos outros 80 minutos por dublês digitais. Que patacoada!


06- Polaróides Urbanas



Miguel Falabella tenta ser Pedro Almodóvar. Adaptando sua própria peça “Como encher um biquína selvagem”,é perceptível a vontade do diretor em equilibrar humor e drama com um toque brega e trágico. Mas as piadas não funcionam. E o drama funciona pouco. Marília Pêra beira a histeria e Arlette Salles vai na onda. Somente se salva a ótima Stela Miranda, como uma atendente do CVV. É dela a melhor trama do filme, e a única cena que emociona de verdade.


05- Asterix nos Jogos Olímpicos (Asterix aux Jeux Olympiques)



Eu adoro o Asterix. Por isso, me dói muito assistir um filme onde ele e Obelix são condenados a coadjuvantes. Como isso pode ser possível? Ainda mais quando o suposto personagem principal é um Brutus sem graça e um casal romântico mais sem graça ainda. Além disso, um epílogo longo demais termina de vez com qualquer boa lembrança que o filme possa lhe trazer.


04-Fim dos Tempos (The Happening)



M. Night Shyamalan está indo pro buraco. Se “A Dama na Água” dividiu opiniões, este filme é o fundo do poço. A boa premissa (algo no ar está fazendo as pessoas cometer suicídio) se perde em diálogos estúpidos, Mark Whalberg com a testa franzida, Zooey Deschannel com cara de retardada e muitas cenas de pessoas fugindo do vento. Suspense zero, e um dos finais mais idiotas dos últimos anos. Deviam ter traduzido o título original pra algo como “O Babado” ou “O Bafão”, pois de “Fim dos Tempos” não tem nada!


03- Doce de Côco



Depois do clássico “Procuradas”, chega esta pretensa comédia que não tem graça, mas tem protagonistas sem timing cômico nenhum e um final que não dá pra entender (Tortura policial? Alguém?). Reparem na lápide do cemitério que aponta o ano da morte de alguém, sendo que o filme se passa vários anos antes... Cruzes!


02- Alien Vs. Predador 2 (Alien Vs. Predator: Réquiem)



Se o primeiro filme já tinha sido ruim, o que esperar do segundo? Algo pior, claro! Personagens desinteressantes, lutas sem graça (e uma fotografia tão escura que nem dá pra ver direito) e muito aborrecimento. Pelo menos uma mulher grávida é morta... não se vê isso muito por aí em Hollywood.


01- Espartalhões (Meet the Spartans)



Os gênios que nos deram “Deu a Louca em Hollywood” atacam de novo. E este filme é tão sem graça quanto os anteriores, com muitas piadas envolvendo os filmes do ano, peidos, mulheres seminuas e a Britney Spears. E nem mesmo eu tive coragem de ver aquela que já é considerada a maior pérola do ano: “Super-Heróis: A Liga da Injustiça”. Este último foi um fracasso... Talvez ano que vem estejamos salvos!

[...]

Mais listas de músicas e filmes nos próximos dias!

Retrô 2 :: Shake your ass!

As músicas que me fizeram mexer o quadril em 2008! Já agradecendo messier Kurtz e madmoiseille Manu pelas tantas indicações musicais das madrugadas, algumas que aparecem por aqui! Nem tudo é exatamente de 2008, tá? But, who cares? Tem mais Retrô de Musical ainda essa semana... ai, adoro fériassss



Zuleika e os Confirmados "O Rock da Linguísta Antropológica"




Dragonette "Jesus Don´t Love me Anymore"




Kate Perry "I Kissed a Girl"




Death Cab For Cutie "Soul Meeets Body"




MGMT "Kids"




The Sounds "Much Too Long Now"




Rihanna "Disturbia"

Diário de Férias :: Parte 2

Chega de densidade!!! Acordei as 10h, tomei um café, li uma Revista Contigo da minha tia e descobri coisas fantásticas do tipo: O Vladimir Brichta namora a Adriana Esteves (rrrraivaaa), a primeira dama da França esteve numa festa da Hebe, e a Eliana dos dedinhos comemorou seu aniversário com 300 convidados em sampa, e ela namora o filho Bôscoli... não é incrível acordar tomando um banho de cultura?

22 de dezembro de 2008

Retrô 1 :: Música

Vamos começando a nossa retrospectiva desde já! Assim como no ano passado, teremos convidados ilustríssimos este ano escrevendo por aqui - sobre cinema e música - e postando suas listas de melhores e piores de 2008.

Eu, que não sou especialista mas que sou um consumidor compulsivo em se tratando de música, vou começar pelos hits e albuns do ano! Algumas pérolas chegaram ao mercado neste ano - eu não dou conta de conferir metade - e o meu destaque vai pros meus adorados (ex)"Los Hermanos", que não só botaram na roda seu ultimo show em DVD, mas lançaram suas produções sem a banda. Marcelo Camelo lançou o album "Sou", fantástico como ja era de se esperar, e Rodrigo Amarante se juntou o stroke Fabrizio Moretti e a Binki Shapiro e chegou bombando com nova banda: "Little Joy". Fica claro, ouvindo o som novo dos rapazes, o quanto a mistura que dava certo no Los Hermanos revela um pouco os acordes de cada um. Camelo fica com o charme da MPB, e com a melancolia do album "Quatro" da banda, e Amarante exibe o melhor do rock em sua nova produção, com momentos de rock indie dos 80´s. As letras mantem o nível, é claro, talento dos dois vocalistas. Pois é, divórcio só é bom quando fica bem tudo bem dos dois lados, né? E os fãs aqui agradecem

Amanhã teremos a lsta dos 10 piores filmes do ano, por Malcon Bauer! E vai rolar mais retrô de música também nesta semana!

Por agora ficamos com dois vídeos dos hits dos ex-hermanitos.!


Little Joy com "Next Time Around"

Marcelo Camelo com "Mais Tarde"

21 de dezembro de 2008

Diário de Férias :: Parte 1

Não importa se você está em plena crise financeira. Não importa se você passou o ano mais bipolar da sua vida. Não importa se acabou sua bolsa, se 2009 é desde já um ano de incertezas. Esqueça sua incompetência amorosa. Abasteça sua barriga de chopp. Esqueça sua amargura de natal. Entre de férias já, do jeito que for.

Minhas férias começaram na sexta com visitas não planejadas aos amigos, trilha pela costa da lagoa, banho de cachoeira, camarào com cerveja, filme porreta, baladinha clássica de sabadão e um sequestro no fast food, com direito a beijo na boca... No meio desse caos que está sendo a passagem de 2008 para 2009, e no meio de tantas incertezas, tudo o que é certo é que eu vou decansar!!!

Beijos
Boas festas!

16 de dezembro de 2008

So, it's Christmas!


O que a gente faz depois de, aos sete anos, ter encontrado dentro de uma sacola das Lojas Americanas o presente de natal que pediu numa cartinha pro Noel? O que é que a gente espera quando deixou de acreditar - há anos luz - no nascimento do menino Jesus? O que é que a gente comemora quando o mundo parece que já acabou muito antes do bug do milênio? No que é que se acredita de fato, num mundo em que um pivete pode te apunhalar por um real , e um filho da puta embolsa a porra do teu imposto? É natal, gente! "Tempo de reconciliação, de harmonia, de nascimento". Como diz uma amiga: "meu cu pro Natal!". É tempo de celebrar a nossa memória curta, e a nossa falta de generosidade. Este ano eu quero comemorar a minha incompetência, a minha alienação, a minha falta de bom senso, o meu egoísmo e tudo o que eu achar de pior. Não me fale sobre os riscos de câncer no meu cigarro. Não me cobre presentinhos. E por favor: tira a mão da minha vodka!

14 de dezembro de 2008

Moon River

So, what´s love?

12 de dezembro de 2008

Férias

Férias chegando. E com ela a minha imunidade vai lá embaixo... uma delícia. A amidalite chegou anteontem. A sinusite chegou ontem. A tosse hoje às três da manhã. A febre agora pelo começo da tarde.

[Será que tô com lepitospirose?]



Adoro férias. É como se meu corpo me dissesse: "tá vendo imbecil... isso é pra você aprender a fazer menos coisas!"

Beijos Enfermos
[louco pra tomar uma cerveja, humffff]

4 de dezembro de 2008

Quanto valem as palavras emprestadas

Protesto contra o Gregory, que resolveu se calar em www.rosetaseespinhos.blogspot.com:


Comecei, enfim, a ler o primeiro romance do meu irmão emprestado, e fiquei bege por ele ter escrito isto que eu vou colar abaixo. E bege por ter começado a lê-lo justo neste momento de catástrofe. As primeiras páginas me fizeram parar pra respirar. Greg, eu entendo a vontade de silenciar. Mas, não concordo. Eu também acho tudo o que eu faço muito fútil nesse momento. Mas escrever é um ofício. Não é o meu, mas é o teu. Cada um reconstrói de algum jeito aquilo que queremos ter de volta. A tua obra é, ao mesmo tempo, represa e rio.

"Através da única janela do apartamento, que ocupa toda uma parede da sala, eu vejo o castanho dos meus olhos refletido nas águas turvas que congestionam as ruas. Alguns carros, poucos, permanecem presos ao chão, encostados em postes ou em muros. Muitos dançam conforme a correnteza os guia, um mau condutor guiando uma dançarina inexperiente"

Gregory Haertel, em "Aguardo"

1 de dezembro de 2008

Galette Surprise

Este é um ensaio que escrevi pra disciplina de crítica, que acabou hoje. Como o Stephan me deu 9.5, e pra comemorar que sou quase formado, resolvi colocar ela por aqui! Lá vai...


PALADARES AGRIDOCES E MORTES DE AMOR

Em “Galette Surprise et son coulis de fruits rouges”, montagem do grupo argentino La Mano Marca, o amor não correspondido é o drama de quatro empregados de um restaurante, cujos clientes começam a passar mal e morrer, numa reação coletiva à suas deliciosas galettes - tortas salgadas típicas da culinária francesa. A trama parece simples, mas a estrutura interna do trabalho é um tanto mais complexa. Como uma galette, simples e saborosa, mas laborada de forma complicada com ingredientes refinados. O título do espetáculo (algo como "torta surpresa com cobertura/recheio de frutas vermelhas") nos chega como metáfora: uma torta para falar de amor. Mas, vamos então falar de amor, para falar da galette.

Quase todas as histórias de amor começam como num baile de máscaras – com o perdão da pieguice -, uma celebração onde o que se conhece é apenas a camada que cobre o rosto dos enamorados. Debaixo da exuberância dos mascarados há carne, osso, imperfeições, desajustes, e por vezes uma alma sôfrega que, por desejar o amor, se faz imagem da perfeição. A imagem, que simula a perfeição escondendo o que há de mais frágil e estúpido em todos nós, é a que encanta. A máscara é como um cartão de visita. Só depois descobriremos (ou não) o que há por baixo delas, discussão já desgastada depois de tantas falas sobre a banalização da imagem na pós-modernidade. Mas o que dizer quando a máscara é a própria exposição da fragilidade? Quando a própria feição da tristeza e vazio é a principal imagem que se tem para mostrar ao outro? O que haverá embaixo de tal feição? Ou seria melhor que nos perguntássemos o que haverá entre as camadas da galette?

Em “The Limits of Interpretation”, Umberto Eco afirma que um texto pode ser pensado como uma pizza, com seu recheio (seu significado) na superfície, ou como uma torta, com recheios entre várias camadas, possibilitando que se adentre seus significados à custa de algumas boas garfadas. A galette dos argentininos do La Mano Marca, parece assim, de massa salgada, mas de frutas vermelhas, simples, mas de receita delicada, recheada de elementos do teatro chamado "pós-dramático", em que o a noção de texto no teatro sofre grandes rupturas.

O texto de Laura Fernández, encenado por Diego Brienza, cria dois espaços para a ação: uma cozinha, onde em volta de uma grande mesa/balcão se prepara os pratos que serão servidos no piso superior, o restaurante (o segundo espaço). O público, situado no plano da cozinha em três lados da cena, em grande proximidade, acompanha o agitado cotidiano dos quatro personagens, que se utilizam de uma escada para transitar entre os dois pisos, atendendo aos clientes do restaurante. O clima entre eles é de grande desentendimento, ainda que, num primeiro momento, não saibamos razão real deste conflito.

A inserção do real no acontecimento teatral, uma das características do teatro pós-dramático, é parte do charme da montagem, e dá base a esta estrutura complexa. Com grande limpeza de elementos, o espetáculo se apresenta de forma bastante realista: ouve-se barulhos dos clientes no piso superior, os pratos parecem ser realmente preparados em cena; o próprio uso de um espaço cuja arquitetura é realmente a de uma sala com uma escada lateral (e não um cenário construído para tal); a luz branca durante quase todo o tempo de cena; figurinos cotidianos, e comida... muita comida. Tais elementos parecem propor uma identificação mais direta com público.

Entre uma torta e outra, subidas e descidas, discussões e desentendimentos, percebemos fiapos de uma história de amor, ironicamente não correspondida entre os quatro: o cozinheiro que ama a gerente, que ama o garçom, que ama a garçonete, que ama cozinheiro, que ama a gerente... Outro elemento pós-dramático do trabalho seria justamente esta ausência de nomes. Chamados por suas funções, eles tem características bastante distintas, e parecem explorar uma corporalidade que condiz com o realismo proposto. Tão frágeis, e aparentemente expostos - sem máscaras - eles só demonstram suas paixões no plano de suas imaginações, momentos que criam um flash de fantasia de cada apaixonado no plano real da cozinha. Assim, a iluminação fria de lâmpadas fluorescentes dá lugar a uma luz lilás forte, que aliada a uma canção romântica, rompe com o plano da fala dos personagens, criando um plano fantasioso em que podemos perceber seus desejos não correspondidos. Se estamos falando em camadas, aqui podemos então identificar três camadas de realidade: a da relação verbal dos personagens; a dos acontecimentos do restaurante; e a das fantasias amorosas.

Enquanto no piso inferior os desejos entram em tensão (de tão contidos em cada personagem), no piso superior, aos poucos, o restaurante começa a reagir à comida: crises, vômitos, mortes por meio das galettes. Reações causadas pela receita dos que morrem de amor? A garçonete, moça mais nova, declara-se constantemente ao cozinheiro, e este, desvia-se. Vez por outra parecem confessar o que a máscara de tristeza não diz. Mas, o que não foi dito, quando tudo parece exposto, nos vem à tona aos poucos, sem muitas certezas.

O diálogo entre os espaços parece nos dar pistas sobre isso. A simultaneidade proposta pela direção e pelo texto – outro elemento pós-dramático - coloca em tensão esses acontecimentos e, assim, dialogam o plano dos acontecimentos do piso superior – seus sons e tensões - com o plano da cozinha. O restaurante situa-se como um plano narrativo que gera tensões no plano da ação (a cozinha). Em uma crítica recente a esse mesmo espetáculo, o crítico Walter Lima Torres nos fala dessa relação entre planos comparando “Galette Surprise...” com a peça de Ionesco “O Rinoceronte” em que toda cidade começa a transformar-se em rinocerontes. Assim, os acontecimentos do plano narrativo, que nos chegam de forma crescente, geram uma tensão no plano da ação.

Neste caminho, o texto não é apenas o do plano da conversa do personagens - seu cotidiano, desilusões, desejos não manifestados, entre outros conflitos. O diálogo entre espaços, a proximidade com o público, o realismo proposto, a ausência de nomes, entre outros signos nos desenham um outro texto: o "texto da representação", ou "texto da performance." Para Hans Thies Lehman, o teatro pós-dramático “é um teatro de estados, e de composições cênicas dinâmicas” . Estabelece-se, portanto, uma dramaturgia visual que, como não está pautada pelo texto, nos oferece a possibilidade de leituras particulares sobre uma mesma obra.

Assim, os significados de “Galette Surprise...” nos são revelados à garfadas mais profundas, perfurando as camadas de um espetáculo que explora o “não-dito” e o uso de metáforas como elementos fundamentais. Neste trânsito entre dois espaços, um parece revelar o outro como um espelho de sensações não verbalizadas. A cozinha da galetterie nos fala – sem dizer - da ameaça constante de uma morte de amor.

Referências:
MARCONDES, Danilo. Cultura e Modernidade: Ciência e Filosofia. Artigo. In: Cultura e Imaginário.
LEHMAN, Hans Thies. O teatro pós-dramático. São Paulo: Cosac & Naif, 2006.
TORRES, Walter Lima. Crítica ao espetáculo “Galette Surprise...” [www.lamanomarca.blogspot.com].

27 de novembro de 2008

Mi Muñequita

Ai que orgulho desse povo, gente!

26 de novembro de 2008

A lucidez é cinza...

E viva a bipolaridade!


"Triste de quem vive em casa,
Contente com o seu lar,
Sem que um sonho, no erguer de asa
Faça até mais rubra a brasa
Da lareira a abandonar!

Triste de quem é feliz!
Vive porque a vida dura.
Nada na alma lhe diz
Mais que a lição da raiz
Ter por vida a sepultura.

Eras sobre eras se somem
No tempo que em eras vem.
Ser descontente é ser homem.
Que as forças cegas se domem
Pela visão que a alma tem! [...]"

Fernando Pessoa

21 de novembro de 2008

Felicidade é... [parte 23]

...terminar um TCC sem ter um AVC. Receber uma indicação para publicar as 100 páginas que foram o fardo do seu ano. Passar na prova do mestrado e se sentir quase lá. Fazer 29 com corpinhlo de 28. Receber os amigos num bar bem clichê e se sentir tendo a festa da sua vida. Sair do inferno astral, e começar mais um ano. Passar a semana "beje" se sentindo o protagonista de um filme bem "água com açúcar". Reconhecer que a dianteira está cada vez melhor... Como diz o título de um dos meus filmes preferidos: "A Felicidade não se Compra".

16 de novembro de 2008

Coisas que eu roubo por aí


"haja caco pra tanto corte haja etique ta pra tanta corte haja saco pra tanto porte haja mundo pra tanta porta haja fora pra tanto dentro haja corda pra tanto acorde haja sexo pra tanta ejaculação precoce haja pulga pra tanta coça haja privado pra tanto publico haja coragem pra tanto covarde haja consumidor pra tanta enganação haja festa pra tanta peste haja coca pra tanto vício haja nudez pra tanta veste haja doença pra tanto vírus haja espaço pra tanto vazio haja outdoor pra tanta cegueira haja solidão pra tanta multidão haja dinheiro pra tanta dívida haja liberdade pra tanta escravidão haja expressão pra tanta apatia, haja poesia pra tanta azia, mas


h a j a
o que houver

a j a.
j á"

Thiago Florêncio [http://oroedordeventanias.blogspot.com]

A foto eu roubei hoje na Praia Vermelha, durante as gravações

[a melhor fala sobre um dia bucólico]

15 de novembro de 2008

Cinema cansa a beleza, gente!

Começamos hoje a gravação do primeiro vídeo do Marcelo [F. de Souza, meu irmão preto]. Gravamos as externas em três locações no primeiro dia: sol da porra, meu pé dói e meu humor tá qualquer coisa... e tem gente que acha que a linguagem cinematográfica é só glamour... [tô meio dramático, ok!] Contraponto trata de erros, desencontros e um afogamento. Estréia em dezembro!

8 de novembro de 2008

Mi Muñequita

Estréia dia 14 o espetáculo "Mi Muñequita", dirigido pelo queridíssimo senhor Turnes, com meu filho Malcon Bauer e grande elenco! [rssss]

Tá imperdível!

Concepção de Iluminação do bonito que vos fala!
[melhorou agora, né?!]

Veja mais em: http://mmunequita.blogspot.com/

5 de novembro de 2008

Pra guardar numa caixinha



Não entendia a alegria nostálgica - esse instante em que o passado se fundia com a goteira desse dia anuviado. Só queria que as brisas boas (que o acordam dormindo) ficassem rondando, feito nuvem, até virar um retrato. E então, era só guardar. Só queria que nada disso fosse embora antes dos barulhos do trânsito anuviassem o começo do dia. Por vezes se sentia tão feliz que temia implodir, tamanho o volume das músicas, a quantidade de afagos que guardara, e os desejos de uma noite diferente. Nem melhor, nem pior. Apenas diferente.

[Foto da Aninha Lubitz, imagem que já andou por aqui outrora...]

3 de novembro de 2008

Smile, for a while!

"A melody softly soaring through my atmosphere..."


30 de outubro de 2008

Que así sea!

Friozinho, sopa de ervilha [receita nova...], nostalgia no scanner, e Buena Vista Social Club na vitrolinha... tem noites que é só os tiozinhos do Buena Vista e eu, salvando la noche... [mais a Manu no méssiene, remexendo na cadeira].

Se liga na letra... e pega o rebolado:


El Cuarto de Tula


"El el barrio La Cachimba se ha formado la corredera
El el barrio La Cachimba se ha formado la corredera
Allá fueron los bomberos con sus campanas, sus sirenas
Allá fueron los bomberos con sus campanas, sus sirenas
Ay mamá, ¿qué pasó…
Ay mamá, qué pasó? x 2

El cuarto de Tula; le cogió candela
Se quedó dormida y no apagó la vela. x 3

¡Que llamen a Ibrahim Ferrer, que busquen los bomberos!
Que yo creo que Tula lo que quiere (Seňor) es que le apaguenel fuego.

El cuarto de Tula; le cogió candela
Se quedó dormida y no apagó la vela.

Ay, por ahí viene Eliades, en tremenda corredera
Viene a observar el cuarto de Tula que ha cogido candela

El cuarto de Tula; le cogió candela
Se quedó dormida y no apagó la vela."

28 de outubro de 2008

Felicidade é... [parte 19]



... melhorar de humor repentinamente por causa de uma foto que eu roubei do www.superziper.com.

27 de outubro de 2008

Sol em Macondo??

É... o verão está chegando, e com ele os insetos. E eu lendo Kafka ontem antes de dormir... Se Jesus não salva, pode ter certeza que Kafka dá uma boa ajuda!

[...]

Lembrei dum post do Rodrigo [o kurtanesque ali do lado nos links] em que ele falava que, certa vez, um copo de nescau e o Rimbaud tinham batido feio no estômago pela manhã [alguma coisa assim...] Ontem aconteceu isso comigo: um copo de ovomaltine e o Frederick Jameson me derrubaram. Fui pro banheiro as duas da manhã achando que era o mal-estar da lucidez. Mas não. A culpa era do ovomaltine mesmo.

[...]

Só mais um capítulo e a monografia fica uma graça... Do meu fígado e do meu pulmão é que não posso dizer o mesmo! Definitivamente, Sr. Jameson: na pós-modernidade, monografia e inferno astral não combinam!

26 de outubro de 2008

Chuva e mau humor em Macondo

Tem dias que eu sei exatamente o que está acontecendo comigo. Eu compreendo o trânsito entre o calcanhar e a ponta dos fios de cabelo. É raro, mas acontece! Já diria a Clarice Lispector: "O que eu vou fazer depois do dia que eu for feliz?". Por mais que eu já tenha compreendido isso há algum tempo, eu volta e meia me vejo com esta frase na cabeça. É, Clarice! A lucidez acaba com o humor de qualquer um!

22 de outubro de 2008

Shake it, hon!

17 de outubro de 2008

Você já foi a um enterro de blog?

Post do blog do Daniel Costa de Souza, que eu colei, pois acho que reflete a pós-mudernidade!


"Morreu o Pinóquio. Com esse codinome, eu escrevi meu primeiro blog, entre agosto de 2006 e julho de 2007. De lá pra cá, o coitado ficou impossibilitado de se manifestar na web por problemas de velhice, comprovada pelo “zip.net” no endereço.

O último comentário foi registrado dia 1º de outubro, agora, deste ano. Com o nome Marta, sem dar sinal pra receber resposta, uma leitora escreveu o epitáfio do Pinóquio:

'Que blog ridículo…como vc é idiota! Do jeito que escreve dá pra ver que vc se acha superior aos outros'

Reler o blog antigo me fez rir. Pelo comentário recente da tal Marta, uma surpresa pra um blog parado, e pela quantidade de asneiras e pérolas reunidas num mesmo endereço. A diferença básica do Pinóquio pro Texto Decorado, além da proposta visual, é que lá eu parecia não ter a mínima expectativa de que seria lido por alguém que não fosse meu amigo. O problema é que teve gente desconhecida que leu uns segredos lá e virou meu inimigo. Tudo história pra contar.

Dar o “excluir este blog” pelo Uol trouxe a sensação de que tudo se renova. Guardadas pra mim as alegrias e angústias, é hora de mostrar aos outros um novo eu. Sim, porque o blog é hoje a extensão da identidade de um blogueiro. Indissociável. Talvez por isso ter mais de um blog seja agonizante.

Como meu nome ficou explícito em alguns posts daquele blog, preferi tirá-lo da net, mas as pérolas estão salvas e serão jogadas, aos poucos, para os leitores do Texto Decorado.

A primeira, que comprova que O Pinóquio tinha muita vontade de viver, foi escrita em 8 de setemrbo de 2006, a partir das imagens de um festival de rock dos anos 70:

'Meu princípio aqui é mentir. Meu fim, oferecer informação adequada, restrita, alternativa. Porque o que é pra todos é pra nenhum. Porque a TV substituiu os livros rapidamente, e os blogs precisam substituir a TV. Porque a rede talvez personalize, traga um pouco da individualidade da origem dos humanos. Cause we got to get ourselves back, ainda que não no gesto, não no toque, não no cheiro. Mas mais longe. (…)


Como no bom jornalismo, resta-nos usar a própria máquina para reformá-la. Paguei dez reais pelo disco digital. Vi um pouco de uma geração que deveria estar em cada lugarzinho onde se guardam imagens católicas neste país. Para lembrarmo-nos de que eles queriam se mudar, mas não tinham transporte. Nós não precisamos fugir com químicas. Podemos embarcar. Dirigir. Aproveitar a tecnologia.'




Compareceram ao velório do Pinóquio, na Praia da Atalaia, os leitores que sempre comentavam no blog. Da esquerda pra direita, na foto: Daniel Olivetto, Gio Ramos, Fábio Ricardo, Thiago Floriano, Monalisa Budel e Marina Melz. Obrigado pelas condolências!"

14 de outubro de 2008

Pra que dormir, porra!?

Minhas madrugas seriam menos felizes sem eles
[leia-se "felizes" como bem entender]:

11 de outubro de 2008

Como se tornar um perfeito cafajeste

Não compartilhe músicas em menos de duas semanas. Não tire do armário sonhos e angústias em público. Nunca ligue no dia seguinte. Nunca pareça frágil. Um cafajeste exemplar não tem sentimentos complexos, muito menos os divide com seres de respiração própria. Relações com plantas, coleções de filmes, objetos raros, e com exaustivos turnos de trabalho são as mais aconselháveis. Não crie metáforas, nem mensagens afetivas. Faça garatujas de sentidos obtusos. Não desenhe nas estrelas, não escreva no guardanapo, não suplique, não sussurre. Choro, nunca. Chances de adeus com perspectivas estão censuradas. Não explique os fatos. Não emoldure fotos. Não sorria, por mais que o temor de uma palavra sensata lhe sugira sorrir. Fale sobre amenidades. Desça as escadas de forma vagarosa. Não dê pistas do seu cotidiano. Não exibir muitos desenhos interiores é altamente recomendável. Mesmo que se ache tolo, seja íntegro, e finja que tudo é comum. Torça pra que tudo seja passageiro. Mesmo que não se reconheça em tais atitudes, nunca pouse por mais que três minutos a cabeça sobre o travesseiro. Tempo máximo de um abraço: 35 segundos.

8 de outubro de 2008

Terror on line

Conversinha estranha esses dias no msn:

"Daniel Olivetto diz:
escuita
tô tem me mandado umas mensagens meio estranhs
deve ser irus

. Ricardo diz:
como assim?

Daniel Olivetto diz:
ou alguém que tá te zoando
no orkut
tipo

. Ricardo diz:
hahaha misplica

Daniel Olivetto diz:
ontem tu mandou o flyer do orkut
e depois caiu uma mensagem
tipo falando onde era o Blues!!!
e tinha uma escrita meio nerd
não perece com as coisas que tu escrver
ja aconteceu umas vezes

. Ricardo diz:
kra naunm dah boala essas coias eh tipos euw tow poussiecdo, entede?
'tenho medo de amigos psicopatas!'

Daniel Olivetto diz:
affeee
que medooo
quem tá aí????

. Ricardo diz:
loooko
hahahahahahaha
ai, daniel! pelamorde!

Daniel Olivetto diz:
sai do corpo do meu amigo, espírito do mal
devolve o Ricardo que eu gosto dele
sái

. Ricardo diz:
recnard tah comqndo paum satan massouw

Daniel Olivetto diz:
pár que eu vou bloqueart
ok
um teste
quandoa gente se conheceu?

. Ricardo diz:
kra a jent cinoc nheauceu na blumenhell

Daniel Olivetto diz:
acertou satanás"


[...]

vai saber que teclado tava mais possuído pelo mal...

6 de outubro de 2008

I don't want to grow up

Tom Waits, sempre genial!
Minha homenagem para o mês das crianças!


4 de outubro de 2008

À moda de Georges Perec (2)




"Eu me lembro de ter começado a escrever sobre isso, por causa do livro de George Perec, e ter dito que continuaria a escrever. Talvez por isso, eu me lembre.

Eu me lembro das luzes vermelhas, enormes, das Casas da Água, do outro lado da avenida, quando desembarquei no terminal Rita Maria, enquanto aguardava tia Oda vir me buscar. Eu me lembro de nunca ter estado antes na Ilha dos Aterros. Eu me lembro de ter pensado que Florianópolis não era um bom nome para uma cidade tão bonita, porque homenageava um ditador. Talvez por isso tenha uma arquitetura tão irremediavelmente cafona, com a cara da sua elite. Eu me lembro de ter dito que eu ficaria aqui. Lembro também de ter ficado.

Eu me lembro de uma carroceria abandonada. Do alto dela, eu praticava boxe sem luvas. Suas madeiras se fingiam de cordas, e seu chão de lona. O horizonte do planalto era o universo a ser decifrado, devorado e atravessado. Lembro de nunca ter beijado o chão.

Eu me lembro de ter feito quase mil barcos de papel e os ter distribuído na medida do meu encantamento e desejo. Eu me lembro de ter dito a alguém que sabia que estaria ali naquele momento, quando da entrega do barco. Lembro vagamente de ter um livro muito próximo.

Eu me lembro de ter amanhecido num lugar chamado Porto da Lagoa e ter adormecido num outro porto, chamado Buenos Aires. Ao abrir dos olhos, alguém me pediu pra que eu não fosse. Ao fechar os olhos, acordei. Havia uns sapatos contíguos, que pertencia a uma palhaça de cabelos azuis. Eu me lembro de ter caminhado muito e de ter visto uma lua cheia como nunca, e de ter sido feliz.

Eu me lembro de três sonhos: 1) a multidão na Ponte perguntando: quem é essa mulher?; 2) um beijo aplaudido num caixa de supermercado após a passagem de uma controversa garrafa de azeite de olivas; 3) uma pequena que voltava nos anos de 1950 para que eu pudesse beijá-la e dizer em seguida: Parabéns, pequena, pelo seu aniversário.

Devo lembrar-me de parar de lembrar e viver mais, ainda que seja impossível viver mais sem lembrar."

1 de outubro de 2008

"Aline não mora mais aqui!"

Artigo meu publicado no DC online ontem: http://www.clicrbs.com.br/pdf/5192793.pdf


POR UMA CRÍTICA MAIS CARETA

por DANIEL OLIVETTO*



O artigo escrito pelo Prof. Heron Moura "Onde está Aline?", publicado no último sábado no Caderno de Cultura do Diário Catarinense dá continuidade às discussões sobre o anonimato de Aline Valim na ilha e eu gostaria de abrir um pouco mais a conversa sobre alguns aspectos, em especial no que diz respeito às relações entre anonimato, ficção e virtualidade, três coisas que me parecem muito distintas.

Em primeiro lugar, concordo que a personagem Aline Valim, nossa crítica virtual, não seja um robô, portanto, é um ser que responde (ou deveria responder) por suas críticas. Honestamente, creio que um anônimo não responde por absolutamente nada, pois não se sabe que compromisso um anônimo tem quando escreve. E não se trata de conhecer ou não a procedência de um texto para poder discutir com suas idéias. Posso discutir com as idéias da bíblia sem saber quem a escreveu de verdade, não? No entanto, não saber quem é Aline Valim nos impede de discutir de outras maneiras suas "críticas", pois não sabemos de que lugar Aline nos fala. Não falo de ter ou não um pedigree, e sim de saber quem é o ser humano com quem converso, já que estamos lendo um jornal, material de grande compromisso com o real.

Pode parecer "careta", mas se não sei quem escreve, para quem eu respondo? Com quem eu converso? Pode ser mesmo "careta" em tempos de internet acreditar em identidade, mas se não sei quem escreve, não faço idéia do que o autor quer com um texto, e creio que a noção de responsabilidade se baseia nisso: saber quem assume o que é dito.

Sobre o que comenta Heron Moura a respeito do nosso dia-a-dia virtual, realmente estamos acostumados a responder diversos e-mails, sim, e a lidar com diversas pessoa@provedor.com.br. No entanto me parece muito distinto responder um e-mail para barbaraheliodora@provedortal.com.br e para alinevalim@provedortal.com.br, pois, eu sei quem é Barbara e não sei quem é Aline. Não é diferente responder virtualmente para um conhecido e para alguém que não faço idéia de quem seja?

Certa vez conversei virtualmente com Sara Kane em seu fotolog, após um comentário seu sobre um espetáculo que dirigi, "Hagënbeck Ltda", referente a apresentação no SESC Prainha em fevereiro de 2007. Não chamo a escrita de Sara Kane de crítica, e sim de comentário, pois creio que uma crítica não é apenas um texto em que alguém fala sobre suas impressões e adjetivos a respeito de uma obra, e sim um texto em que podemos refletir sobre a obra, um texto que fundamente suas idéias e impressões. Um texto crítico propõe um estudo mais especializado do que um comentário mais simples de blog. Ambos são importantes e abrem discussões, mas são distintos. Perguntei a Sara Kane porque não tinha ficado para o bate- papo ocorrido logo após a apresentação, momento em que poderíamos discutir presencialmente diversos temas, problemas do espetáculo, e o que mais fosse pertinente ali, logo após a sessão. Mas, tudo bem, a discussão se deu por fotolog e foi até prazerosa. Sara Kane não precisa de pedigree, afinal qualquer um pode ter um blog e escrever o que quiser. Mas não seria necessário saber de que lugar cada um fala? Quando minha mãe comenta sobre uma peça minha, ela sempre começa dizendo: "olha, eu sou leiga, mas eu acho assim, né?...". Mamãe, que não tem pedigree de crítica, situa o lugar de onde fala e seus comentários sempre me ajudam muito.

Comentário é comentário, e pode contribuir muito, sempre. Mas, quando se chama um texto de crítica, supomos que vamos ler um texto que abre uma discussão mais ampla e que não se baseia no "eu acho assim". E esperamos muito menos que uma crítica pareça um texto-veredicto, que encerra ali o próprio ato reflexivo. Mas Sara escreve comentários, e não críticas, e por um tempo até achei seu anonimato interessante, embora lhe desse menos credibilidade que dou a qualquer pessoa com ou sem pedigree, pois como não faço idéia de quem seja Sara Kane, não sei se suas opiniões não passam de ironia. Quando minha mãe fala sobre teatro, eu sei de onde ela fala. Quando Edelcio Mostaço fala sobre teatro, eu sei de que lugar ele fala, e mesmo discordando muitas vezes dele, suas críticas se fundamentam, são escritas com compromisso de quem domina o assunto e me deixam este espaço para discordar e conversar a partir de seu texto. Será que é tão "careta" assim querer saber com quem estou conversando?

O que ocorre com Aline Valim, nossa crítica que já chega fazendo sucesso na ilha, é que esta ocupa um espaço privilegiado num veículo oficial, como comentam Jefferson Bittencourt e Marisa Naspolini em seu artigo "Sobre ética e crítica em tempos de internet" (publicado no DC Cultura de 20 de setembro de 2008). E neste espaço privilegiado se discute virtualmente o que os artistas fazem presencialmente, o que gera um atrito bastante compreensível.

O teatro é uma arte presencial, que ocorre ali, frente a frente, e que coloca no mesmo território espaço-temporal a ficção e a realidade. No entanto, a respeito do que comenta Heron Moura (autor que eu sei que existe, pois, paranoicamente, corri para o site da UFSC para saber se estaria respondendo a um anônimo ou não), não é Hamlet quem desce do palco para cumprimentar o público. Hamlet é um personagem, uma criação artística, e quem desce à platéia é um ator. Sara Kane e Aline Valim, que são personagens de outro gênero criativo, não vão ao camarim de Hamlet dizer o que acharam, logo, assim como Hamlet, não existem como sujeitos.

Honestamente, não penso que seja necessário um pedigree para escrever crítica. Eu já exercitei escrever algumas críticas, mas nunca tentei publicá-las, pois achava que não ajudavam a discutir muita coisa, e deixei de publicá-las por este motivo e não por não ter pedigree. E não tenho mesmo, mas, poderia publicá-las em meu blog, deixando claro o lugar de onde falo: "sou ator, tenho 28 anos, etc e tal, e deste lugar olho a obra tal assim".

Creio que para escrever crítica seja necessário conhecer o ambiente da obra que se critica, com ou sem "diploma de crítico" (aliás, diploma de crítico não existe!). Penso que é preciso assumir sua opinião, discuti-la de maneira generosa e responsável, e fundamentar o uso de "achismos" crônicos como "cometer deslizes infantis", como comenta Aline Valim em sua crítica sobre o espetáculo "Simulacro de uma Solidão" (publicada no DC). E fundamentar não significa defender uma tese, citar um cânone e fechar o parágrafo. No caso desta crítica de Aline talvez fosse importante fundamentar apenas justificando o que significa uma atriz "cometer deslizes infantis", ou dizer que o "jogo com o público não acontece". Como se sabe que uma peça chega ou não ao público? Aline Valim é "o público"? O que significa "o jogo não acontecer"? Sabemos que o espaço para crítica no jornais é muito limitado e às vezes com uma lauda e meia não se consegue fundamentar tudo, então, que tal ser menos impactante? Quando uma crítica apresenta este tipo de "achismo" radical - e fechado em si mesmo - não se tem muito como discutir. Se eu chego chutando a porta, ninguém vai me receber bem. Não foi assim que mamãe ensinou? Um crítico não precisa passar a mãozinha na cabeça de ninguém, nem dizer tudo cheio de cautelas, mas deveria fundamentar o que acha para que possamos discordar, pois um crítico não é "o público", e sim "um público". E ser generoso não é ser bonzinho, é ser educado, o que me parece o mínimo pra abrir uma conversa. Além de chutar a porta Aline Valim saiu correndo, porque não sabemos quem ela é.

Quando leio uma crítica que diz que num espetáculo se "comete deslizes infantis", sinceramente, o que me resta é fechar o caderno e pular para os classificados. Além de pouco educado, me parece covarde essa dimensão do anonimato. Talvez seja "careta" pensar assim, mas em tempos de tantas falas sobre a virtualidade que engole as relações humanas, opto pela caretice de tentar conversar com pessoas reais. Como já diria mamãe: "eu acho assim, né?".


*Ator da Cia. Experimentus Teatrais e graduando em Artes Cênicas pelo Ceart/Udesc