3 de setembro de 2008

Cena Final [Para Luísa]

Alzira está envolta na fumaça do apartamento apertado, apura o aprumo dos cabelos e aperta os dedos. Espia o carro verde no fundo da rua. Parece que ele vem, mas ele, o carro, está em pausa. Alzira! - grita com faróis acesos o moço a três passos do caro escuro. Banho tomado, esfumaçada, sempre se achando ôca e anta, ela desce correndo as escadas. Ele está em pausa. Ele beija-lhe a face. [Final de filme feliz assim tão no começo?] Alzira, esquecera o novelo verde-musgo na sacada - o que tramou tantas peças de tricô em noites esfumaçadas. Ela está agora em pausa. Dá um passo de costas, a Alzira, lenta e anta. Vira-se e tenta correr de volta pro portão. Ele a toma pela mão, como num romance barato de bolso.

Eles estão em pausa.

Talvez não precise mais do pulôver... talvez não precise das latas de biscoito, do controle-remoto, dos escritos que nunca vai mostrar pra ninguém. Talvez só precise de combustível e das roupas do corpo. Talvez um fim. Talvez um começo. "Sempre, as horas".

7 comentários:

Enzo Potel disse...

essa mulher é um desbunde

(o melhor texto alzírico da última safra, arrasou)

Sandra Knoll disse...

quem sabe o que ALzira tem em mente?
Talvez ela não precise mesmo do novelo... espero que não! Sempre haverá um novelo, um carro verde, uma sombra a três passos do carro lhe esperar.

gregory haertel disse...

a melhor tirada dos últimos tempos :'alzira, ôca e anta'. adorei

Alex Nascimento disse...

nem sei
alzira!!!!
nem sei o que dizer
acho que ela esta vivendo entre nós

Alex Nascimento disse...

nem sei
alzira!!!!
nem sei o que dizer
acho que ela esta vivendo entre nós

Rafael Koehler disse...

romance barato de bolso... adoro!
heheheeh

Deserticas disse...

anta e oca... e mais ainda em pausa...
se ela está em pausa ela pensa...
alzira é a própria pausa...