2 de outubro de 2006

Sobre a política do pão com ovo...

Toda vez que eu penso em política eu sinto uma dor que eu nem posso explicar onde é. Fica feio explicar essas coisas. Eu me sinto simplesmente um analfabeto no assunto, ou quando muito entendo das questões que dizem respeito ao meu ofício, ou seja: eu sempre sei quando o sujeito está pondo a cultura de lado [leia-se "cultura" como meio cultural, e não me venham com teoria antropológica, please!] ... E ainda que não seja um especialista no assunto "política que fode artista", eu acho que posso aproveitar a vinda do segundo turno pra fazer uma campanha anti Luís Henrique da Silveira ... porque chega, né?!

Desde que o excelentíssimo Sr. Silveira saiu de Joinville - por ele transformada numa espécie de colonia do Bolshoi - pra ingressar na função tão meritória de governador, a vida do artista foi ficando cada vez mais difícil, e com isso o vínculo da arte com o todo do estado, a criação de outra veiculação artística nos âmbitos menos centrais e 'empompados' ficou pior ainda. E as histórias são muitas ...

Como esquecer a famigerada extinção da FCC (Fundação Catarinense de Cultura), misturada no mesmo balaio do Esporte e Lazer, na tal SEITEC? Como entender que um governo que levanta a bandeira da 'descentralização' consiga ter a cara de pau de subdividir a arte à um dos segmentos de algo chamado SEITEC. Tão fácil quando distinguir arte de esporte é distinguir arte de lazer... Essa é a pedra no rim: 'arte é lazer'. Estamos falando de um governo que tem a displicência de 'confundir' arte com lazer, um governo que investe meio milhão de reais (do nosso imposto... sempre bom lembrar) pra Vera Fischer montar um espetáculo no Rio, com atores do Rio, cujo processo não contribui em nada para a cultura catarinense, e que, quando vier a Santa Catarina, terá um custo de cerca de 30 a 50 reais por ingresso ... quem é que pode ver espetáculo por este valor? As comunidades carentes defendidas pelo plano de governo do Sr. Governador? Perdão ... alguém falou em descentralização mesmo?

E mais ... como conceber que alguém pense que descentralizar é criar as benditas "Arenas multi-uso" pela cidade. Pra quê, meu Deus?! Por que raios precisamos de elefantes brancos de multi utilização - que ainda levam o nome de miss e não de atriz - espaços cujo custo poderia ser destinado à criação de espaços menores que funcionariam muito mais em comunidades que necessitam de centros culturais. Assim, com espaços culturais descentralizados, a arte poderia ser acessível à uma comunidade, criar vínculo com suas necessidades primordiais. Eu não acho que o teatro cura a fome da barriga. Cura uma outra fome... a que a gente acha que tem menos. Então, chega de arroz e feijão, chega desta política 'pão com ovo'. A gente quer a tão falada descentralização no seu sentido real, e não essa palhaçada que na qual só acredita quem tá dentro do elefante.

Eu não presto atenção no todo da administração pública... eu sei e assumo (sempre tenho milho pelos cantos da casa para sessões de punição) Mas saber, assumir e me punir não embeleza minha alienação. Contudo, isto de que falo é algo que eu vejo. É com isto que eu me emputeço, e isto quero divulgar! Sei que pra muitos eu não estou dizendo nada novo, mas pra quem acaba de saber: eu peço seu voto. No segundo turno vote em qualquer um ... pelo amor de Deus!!! Mas chega de Balé da Hungria cuja vinda custa a manutenção anual de um balé brasileiro... chega desse bolshoi que forma sei lá o que pra quem ver ... de editais fraudulentos, de dinheiro captado por artista rendendo por três meses na conta do governo... chega de palhaçada ... vote em qualquer um, menos nele ... fica dado o recado!

2 comentários:

Rodrigo disse...

Seu Blog esta de parabéns!
De excelente bom gosto!

Pinóquio disse...

pois é, professor! está difícil esse tal de segundo turno! quase me convenceste. Talvez ainda vote naquele cara que não tem nada na cabeça só pra não votar no nosso rei da cahaça. E não, ele não é diferente nas outras áreas. Faz tudo só pra aparecer.
abraço